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26/11
Tudo o que você precisa saber de adubação na soja

Tudo o que você precisa saber de adubação na soja

Em uma safra que o corte de custos é o objetivo, saber no que investir menos e como diminuir se torna fundamental para o agricultor ter um bom retorno financeiro e produtividade. Um dos primeiros itens na lista de corte do sojicultor é a adubação, mas, se mal feito, isto pode acabar prejudicando o resultado final do produtor.

Para ajudar o agricultor a entender a importância da adubação e auxiliá-lo na tomada de decisão, o Soja Brasil ouviu o pesquisador da Embrapa Soja Adilson de Oliveira e o especialista agronômico da Yara Brasil Fertilizantes Harley Sales, para tirar as principais dúvidas do sojicultor com relação à adubação da soja.
Por que é necessário adubar?

O pesquisador da Embrapa explica que a adubação é fundamental para incrementar a produtividade de culturas como a soja, principalmente em solos tropicais, que é típico das principais regiões produtoras de alimentos no Brasil.

O fertilizante corrige e aumenta os nutrientes necessários para que a planta da soja possa absorver e ter bom desempenho com produtividade alta.

– A relação fertilizante x produtividade desempenha papel fundamental, pois as características naturais dos solos não dispõem da quantidade necessária de nutrientes para assegurar altos índices produtivos – argumenta Sales, da Yara.
Quais são os nutrientes necessários no solo?

Harley Sales explica que o produtor deve levar em consideração os níveis dos nutrientes essenciais que são comumente avaliados (direta ou indiretamente) na análise de solo: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre, zinco, boro, cobre, magnésio, manganês, ferro, entre outros.

– Os nutrientes que a soja mais absorve do solo são fósforo, potássio e enxofre, são os que mais vão precisar de reposição. Tem também o nitrogênio, mas ele pode ser introduzido através da inoculação – afirma Adilson de Oliveira.

O agricultor deve considerar também os parâmetros que interferem na disponibilidade e retenção dos nutrientes (pH, CTC, textura) e aqueles que afetam o desenvolvimento das plantas (alumínio e sódio).

O ideal é que o produtor tenha uma boa assistência técnica, para que ele possa confiar a interpretação dessas informações a um engenheiro agrônomo, que vai ientificar os níveis adequados de nutrientes e a necessidade de cada talhão.

Existe a ‘poupança de solo’?

Os solos possuem capacidade variável de retenção de nutrientes, portanto é possível construir uma “poupança” de nutrientes. No entanto, o tamanho e disponibilidade desta reserva dependem de fatores do próprio solo e do manejo adotado pelo produtor, o uso de matéria orgânica ajuda nesta manutenção.

A avaliação da “poupança de solo” de cada produtor depende de uma análise criteriosa dos índices apontados na análise de solo. O pesquisador da Embrapa Soja lembra que é possível utilizar essa reserva de nutrientes, mas que plantar sem nenhuma adubação é ruim.

– Para construir a fertilidade do solo se leva muito tempo, não é de um dia para o outro. Assim como utilizar esta poupança não vai zerar esta reserva, mas não é o ideal – afirma Adilson de Oliveira.

Cortar a adubação é o melhor caminho?

Para o especialista da Yara, como a adubação possui uma relação direta com a produtividade, é importante que o produtor busque a racionalização da adubação nos tempos de crise, mas sem perder a força produtiva da soja. Ele explica que é importante buscar por produtos mais eficientes e práticas que permitam evitar desperdícios de nutrientes e perda de eficiência no momento da aplicação.

Adilson de Oliveira, da Embrapa Soja, considera um tiro no pé do produtor abrir mão da adubação durante uma safra. Como dito anteriormente, ele reforça que construir um solo produtivo leva anos e que fazer a manutenção dos nutrientes sai mais barato do que ter que repor todos em outro momento.

– É importante que o produtor encare a escolha de fertilizantes como investimento e procure obter a melhor relação custo-benefício. Por outro lado, evitar desperdícios e otimizar as operações de distribuição do fertilizante são fundamentais, especialmente quando realizadas em conjunto com a semeadura – orienta o especialista da Yara.

Vale lembrar que já mostramos no Soja Brasil que o atual campeão em produtividade de soja no país, Alisson Hilgemberg, gasta muito pouco na safra porque fez um trabalho de mais de 30 anos para melhorar o solo da propriedade. Um solo de qualidade leva tempo e muita análise.

Adubação técnica

Por fim, a principal orientação do especialista da Embrapa Soja é para que o agricultor faça uma adubação técnica, respeitando ao máximo o que diz a análise de solo. Não é necessário exagerar no adubo para mais produtividade, apenas repor o que precisa.

– Na análise de solo, o produtor vai ver se os níveis estão críticos ou acima do teor adequado. Em cima disso, ele vê a necessidade de adubação, diante de uma análise criteriosa dos nutrientes. Se os níveis estão altos, apenas a manutenção dos nutrientes é necessária – afirma.

Fonte: Aprosoja