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03/11
Tecnologia de Aplicação

Tecnologia de Aplicação

A tecnologia de aplicação é compreendida como “Emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica e com o mínimo de contaminação de outras áreas.” (Matuo, 1990).

A qualidade da tecnologia de aplicação está diretamente ligada à algumas variáveis do ambiente como: temperatura (°C), umidade relativa do ar ( U.R %), velocidade do vento (Km/h), presença de orvalho e ocorrência de chuvas após a aplicação.

Para se obter uma melhor eficiência na aplicação devem ser observados alguns aspectos como:
– condições climáticas favoráveis: (Temperatura abaixo de 30 °C, Umidade relativa do ar acima de 55 %), velocidade do vento (de 3 a 10 Km/h).
– maior cobertura do alvo ( maior número de gotas/cm²)
– maior espalhamento e aderência das gotas.

Para obtenção de uma cobertura adequada depende alguns fatores como volume de aplicação (L/ha), área foliar a ser tratada e o tamanho de gotas.

A escolha de pontas (bicos) para alguns pesquisadores na área de pulverização agrícola é um dos elementos mais importantes dentro da tecnologia de aplicação, pois são delas que depende a formação das gotas, a delimitação do tamanho das gotas e da vazão e distribuição sobre os alvos.

Para a correta escolha da ponta de pulverização deve ser levado em conta qual o tipo de produto (agroquímico) e o alvo que ele quer atingir (planta daninha, praga e doenças). Por exemplo: aplicação de fungicida na cultura do trigo na fase de elongação, na grande maioria os fungicidas têm ação sistêmica, mas somente ocorre a translocação no sentido base da folha para a ponta, no entanto a translocação é mínima, ou seja, devem ser aumentadas as quantidades de gotas/cm² e trabalhar com gotas finas a médias (150 a 350 µm (micras), para ocorrer uma melhor distribuição de gotas nas folhas e melhor penetração na planta.

As gotas produzidas pelas pontas de pulverização são classificadas em muito finas, finas, médias, grossas, muito grossas e extremamente grossas.

Dimensionamento de pulverizadores também é de fundamental importância dentro da tecnologia de aplicação. Esse procedimento consiste em adequar o tamanho da máquina para o tamanho da área a ser pulverizada dentro do ciclo produtivo de cada cultura a ser explorada. A velocidade de aplicação está diretamente ligada à qualidade de aplicação dos agroquímicos. Um dos maiores desafios é o manejo das irregularidades causadas pela oscilação das barras durante a aplicação.

O movimento das barras não acontece apenas vertical (para cima e para baixo), mas também pode ocorrer horizontal (para frente e para trás). Enquanto as variações verticais são mais fáceis de serem resolvidas, no entanto, as variações horizontais são mais difíceis de serem controladas.

O volume de calda é um fator extremamente importante dentro da tecnologia de aplicação. Estudos recentes demostram que o controle da ferrugem da soja, está diretamente ligado ao volume de calda (L/ha), ou seja, os melhores controles estão entre 80 a 150 L/ha, comprovando que os fungicidas são dependentes de uma maior quantidade de gotas/cm², bom espalhamento e boa penetração dos mesmos.

Formação da calda de pulverização deve ser criteriosa, ou seja, no momento de formação da sequência dos produtos a serem adicionados no tanque deve se seguidos alguns critérios:
1) colocar água no tanque;
2) ligar o agitador;
3) colocar adjuvantes;
4) colocar substâncias altamente solúveis em água;
5) colocar produtos de formulação sólida (WP e WG);
6) colocar líquidos concentrados;
7) colocar adubos, micronutrientes e outros adjuvantes;
8) colocar produtos de base oleosa.

Todas as tecnologias dentro da tecnologia de aplicação devem ser observadas, pois pode contribuir decisivamente para o sucesso da proteção das plantas cultivadas contra a ação indesejável de plantas daninhas, pragas e doenças, e também na busca de uma produção mais sustentável economicamente e ambiental.

José Albano Seibel de Moraes – Engenheiro Agrônomo