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24/08
Soja: Mercado perde quase 20 pts na CBOT nesta 2ª feira e sente pressão da economia da China

Soja: Mercado perde quase 20 pts na CBOT nesta 2ª feira e sente pressão da economia da China

O mercado internacional da soja inicia a semana operando com severas baixas na Bolsa de Chicago e, por volta das 7h40 (horário de Brasília) desta segunda-feira (24), as cotações da oleaginosa perdiam quase 20 pontos nos principais vencimentos negociados na Bolsa de Chicago. Assim, o contrato novembro/15, referência para a safra americana, era cotado a US$ 8,72 por bushel, e as posições mais negociadas já acumulavam baixas de mais de 3% nas últimas sessões.

Mais do que por seus fundamentos, os futuros da soja vem sendo influenciados negativamente pelas notícias preocupantes que continuam chegando da China sobre a situação de sua economia, segundo explicam analistas. E o movimento de baixa se estendia por todas as demais commodities negociadas na bolsas internacionais, como o petróleo, que opera com expressivo recuo e já abaixo dos US$ 40,00 por barril.

Nesta segunda, a bolsa de Xangai perdeu mais de 8%, registrando sua maior baixa diária desde o auge da crise financeira de 2007, como noticiou a agência Reuters. “Todos contratos futuros dos índices na China recuaram 10 por cento, limite diário, refletindo a queda dos preços das ações e apontando que ainda há dias ruins por vir”, informou a Reuters.

As principais bolsas globais também sentem o impacto e trabalham em campo negativo, algumas perdendo mais de 2%. Na China, as ações já acumulam uma baixa de mais de 30% de junho até agora.

Conforme noticiou o portal G1, as bolsas asiáticas têm esse início de semana tão negativo mesmo depois de, na véspera, o governo ter anunciado a permissão aos fundos de pensão para que invistam na economia do país um máximo de 30% de seus ativos da bolsa. Caso isso se concretize, de acordo com os cálculos oficiais, poderia resultar em uma entrada de de cerca de US$ 328 bilhões (ou 2 trilhões de yuanes) nos mercados de valores.

Além disso, o mercado internacional de grãos recebe, também nesta segunda-feira, dois novos boletins do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), sendo um deles o de embarque semanal de grãos – entre o final da manhã e início da tarde – e outro de acompanhamento de safras com as condições atualizadas das lavouras norte-americanas.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira (21):

Soja fecha semana pressionada pelo financeiro e expectativa de boa safra dos EUA

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam a sessão desta sexta-feira (21) com baixas de quase 20 pontos nas posições mais negociadas na Bolsa de Chicago e todas abaixo do patamar dos US$ 9,00 por bushel. O contrato novembro/15, referência para a safra americana, terminou o dia valendo US$ 8,89 por bushel, e o março/16 ficou em US$ 8,93.

O mercado devolveu os ganhos registrados na sessão anterior e terminou a semana da mesma maneira como começou: severamente pressionado pelas notícias negativas vindas da macroeconomia, principalmente da China, e pelas perspectivas de uma boa safra se concluindo nos Estados Unidos.

Mercado Financeiro

“Novos problemas na economia da China estimularam as vendas nas commodities e ativos de maior risco nesta sexta-feira”, relatou o analista de mercado e editor do site internacional Farm Futures, Bob Burgdorfer.

A semana no mercado mundial de commodities foi intensamente marcada pelo cenário econômico e financeiro, especialmente nesta sessão. Os futuros do petróleo negociado na Bolsa de Nova York, nesta sexta-feira, registraram um novo pregão de baixa e chegaram a perder os US$ 40,00 por bushel.

Além disso, durante os últimos dias, as notícias da economia chinesa preocuparam, pressionaram e as bolsas asiáticas fecharam a semana com uma queda acumulada de quase 12%. “Tivemos um mercado extremamente ligado ao macroeconômico nesta sexta. Foi essa prospecção de um menor crescimento chinês que mexeu com toda a macroeconomia nesta semana”, explicou o consultor em agronegócio Ênio Fernandes.

Em uma tentativa de estimular a economia local, o governo chinês, na última semana, desvalorizou o yuan em cerca de 3%. A medida assustou o mercado imediatamente diante das perspectivas de uma possibilidade de redução nas importações do país, entretanto, analistas acreditam que as ações – que foram, inclusive, elogiadas pelo FMI (Fundo MonetárioInternacional) na ocasião – poderiam ser positivas no longo prazo ao atingirem seu objetivo. O susto inicial, entretanto, foi inevitável.

A nova safra dos EUA

Nesta sexta, o Crop Tour Pro Farmer foi concluído, estimando a safra norte-americana em 105,79 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 106,58 milhões estimadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no boletim de 12 de agosto, que derrubou o mercado e criou um novo ambiente para a formação dos preços na CBOT. A média de produtividade esperada ficou em 52,75 sacas por hectare, frente às 53,17 projetadas pelo departamento norte-americano.

“Estas estimativas são baseadas em premissas de condições normais de clima até setembro (…) No caso da soja, a safra poderia ter uma produtividade ainda maior até o final da safra caso o clima seja favorável. As chuvas que chegaram na semana passada ajudaram a oleaginosa a encher as vagens e permitiu até mesmo que alguns pés da oleaginosa plantados mais tarde conseguissem algumas vagens a mais. Não fizemos ajustes nos números de área nem da soja e nem do milho”, iformou a nota oficial do Pro Farmer.

E o mercado segue acompanhando não só as demais perspectivas que chegam de consultorias privadas após o USDA, mas também o desenvolvimento do clima nos Estados Unidos. As últimas previsões climáticas do NOAA, departamento oficial de clima do governo norte-americano ainda indicam condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras no Meio-Oeste americano.

No sábado, chuvas devem se deslocar pelo cinturão produtor e tempestades poderiam ser registradas em Iowa. Nas previsões dos próximos 5 e 7 dias, as precipitações seguem concentradas no Corn Belt, enquanto para o intervalo dos próximos 6 a 10 dias, já é esperado um padrão de tempo mais seco, com o tempo quente se movendo para as Planícies e para o oeste do Meio-Oeste.

Dólar, mercado no Brasil e demanda

Enquanto os preços em Chicago registraram novas mínimas e perderam até mesmo o patamar dos US$ 9,00 por bushel na semana, o dólar subiu apenas 0,37% no mesmo período, fechou em R$ 3,4960 e não contribuiu muito para uma retomada das cotações. Entretanto, em relação à última sexta-feira (14), as cotações se mantiveram, praticamente, estáveis.

Em Rio Grande, a soja fechou a semana valendo R$ 77,30 no disponível e no mercado futuro, enquanto isso, em Paranaguá, os preços ficaram em R$ 76,00 e R$ 75,00, respectivamente. No terminal de Santos, também pouca movimentação para encerrar os negócios em R$ 76,00 por saca.

Os negócios seguem parados, porém, ainda com os vendedores retraídos e aguardando novas oportunidades que possam compensar a volta ao mercado. Por outro lado, o mercado também recebeu as informações das importações de soja da China em junho que apontataram para números recordes, mas acabaram não ganhando o peso merecido.

A nação asiática, no último mês, adquiriu 9,5 milhões de toneladas e essa foi a primeira vez na história que o volume desembarcado no país superou os 9 milhões em um único mês, como informou a Reuters. Os dados partem da Administração Geral da Alfândega.

A chegada dos números deixou claro a concentração da demanda chinesa na América do Sul, uma vez que foram compradas 6,37 milhões de toneladas do Brasil, registrando um aumento de 22,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, e 2,28 milhõe de toneladas da Argentina, 43,9% a mais do que em julho de 2014.

Ainda de acordo a Reuters, um analista do Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos da China (CNGOIC) disse que “a América do Sul irá dominar a oferta até pelo menos setembro” e que os compradores, até esse momento, ainda não cobriram suas necessidades de consumo para os meses de outubro e novembro.

Fonte: Notícias Agrícolas