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22/06
Soja: Mercado busca reajuste e atua com estabilidade na manhã desta 4ª feira em Chicago

Soja: Mercado busca reajuste e atua com estabilidade na manhã desta 4ª feira em Chicago

O mercado da soja, após as fortes baixas já exibidas nesta semana, opera com estabilidade e em campo positivo nesta manhã de quarta-feira (22) na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa subiam apenas entre 1,25 e 2,25 pontos nos principais vencimentos, com o novembro sendo cotado a US$ 11,12 por bushel, por volta das 7h40 (horário de Brasília).

A movimentação das cotações é, segundo explicam analistas, uma tentativa de ajuste e de encontrar o equilíbrio após a despencada forte das últimas sessões. No entanto, as condições de clima nos Estados Unidos ainda têm o principalm foco do mercado internacional e sendo favoráveis para o desenvolvimento das lavouras até este momento, ainda exercem pressão sobre os preços.

Em duas outras frentes do mercado atuam ainda a relação de oferta e demanda, que segue apertada e dando suporte à oleaginosa ou atuando, ao menos, como um limitador das baixas. Além disso, há ainda as expectativas que permeiam o mercado financeiro nesta semana, trazendo alguma aversão ao risco aos investidores, principalmente à espera da decisão da Grã-Bretanha sobre sua permanência na União Europeia.

Nesta quarta, a maior parte das ações asiáticas fechou em alta diante de perspectivas de que a Grã-Bretanha fica o que traz, em contrapartida, alguma segurança um pouco maior ao mercado. As especulações, porém, continuam e, consequentemente, a volatilidade também.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja fecha o dia com mais de 1% de baixa na Bolsa de Chicago com foco no clima bom dos EUA

As chuvas continuam chegando ao Meio-Oeste norte-americano, promovendo um bom desenvolvimento da safra 2016/17 e, portanto, pressionando os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. Os principais vencimentos da oleaginosa voltaram a recuar mais de 1% e as perdas mais intensas foram registradas, novamente, nas posições mais distantes, referentes à nova safra norte-americana.

Assim, o vencimento julho/16 terminou o dia cotado a US$ 11,33 por bushel, enquanto o novembro/16, que é o vencimento mais negociado neste momento, foi a US$ 11,10. Entre os futuros do farelo de soja, as baixas superaram os 2% e as posições mais importantes perderam os US$ 400,00 por tonelada curta, enquanto o óleo caiu quase 1%.

Segundo explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o cenário climático favorável nos Estados Unidos desencadeou um movimento intenso de realização de lucros, com os fundos de investimentos liquidando boa parte de sua posições. “Para ter uma mudança, o clima teria que se inverter e ficar desfavorável para as lavouras, principalmente nas quatro a oito semanas”, diz.

Nesse período – do meio de julho ao meio de agosto -, que é o mais importante para a definição safra americana de soja, já que é o período de florescimento e início formação das vagens, quando é necessário umidade do solo e temperaturas amenas, explica o consultor. “O que não se pode ter nesse período é calor intenso e falta de chuvas”, completa. Até agora, porém, a situação não é esta.

Para o consultor internacional Michael Cordonnier, a tendência de tempo mais seco no sul e no leste do Corn Belt já começa a preocupar, bem como as previsões que indicam um tempo mais quente do que a média em períodos determinantes para as culturas da soja e do milho. Enquanto isso, para a soja as preocupações, por ora, são menores, segundo o consultor e, por isso, sua projeção para o rendimento das lavouras norte-americanas ficou estável em 52,95 sacas por hectare (ou 46,7 bushels por acre). O número, no caso da oleaginosa, é o mesmo estimado pelo USDA. Apesar disso, afirma ainda que, daqui em diante, pode haver uma viés mais baixista para suas expectativas.

“Uma das minhas preocupações com a soja se dá com algumas das áreas com as condições de tempo mais quente e seco são áreas onde os produtores deverão plantar soja double crop. E se essas condições persistirem, poderá haver problemas de germinação e a garantia de um stand bem estabelecido. Já há reportes de soja plantada mais tarde em partes do Sul do Corn Belt em áreas onde o solo está mais seco, esperando pela umidade”, explica Cordonnier.

Na contramão da influência do mercado climático, os bons números da demanda ainda são fator de suporte para os preços, ou ao menos, um limitador para as baixas. De acordo com o consultor, a pouca oferta disponível no Brasil e, consequentemente, um ritmo mais lento de exportações no país fez com que o consumo buscasse a oleaginosa ainda disponível nos EUA, o que vem sendo refletido em dados fortes de embarques e vendas semanais para exportação pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

“O volume da soja já embarcado pelos EUA é maior do que a projeção do USDA, então, automaticamente, esse é um fator positivo no médio prazo”, diz Brandalizze. E novas vendas fortes foram anunciadas ainda nesta terça-feira.

Foram 132 mil toneladas da safra 2016/17 para a nação asiática e mais 126 mil para destinos desconhecidos. Desse último volume foram 66 mil da safra 2015/16 e mais 60 mil da safra 2016/17. Além disso, foi anunciada ainda a venda de 40 mil toneladas de óleo de soja também para a China, do ano comercial 2015/16.

No relatório semanal do departamento norte-americano, o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições caiu um ponto percentual para ficar em 73%, contra 65% do ano passado, nessa mesma época. O plantio da soja nos EUA está concluído em 96% da área e supera a média dos últimos cinco anos, de 93%, e o 89% registrados no mesmo período de 2015.

Nesse contexto, e sem novidades fortes, principalmente sobre o clima nos EUA, para Vlamir Brandalizze, o mercado internacional da soja deverá operar em uma faixa de preços variando dos US$ 11,40 e US$ 11,80 por bushel. “Quando se aproximar dos US$ 11,80, o mercado volta a liquidar e realizar lucros”, diz.

Mercado Interno

No mercado brasileiro, principalmente no interior do país, as baixas, quando registradas, são bem mais amenas. “Internamente, nas regiões produtoras mais distantes, os preços não tem caído muito. Temos pequenas quedas nas cotações, mas para um mercado regional, os preços seguem firmes”, diz o consultor da Brandalizze Consulting.

Em Ponta Grossa, no Paraná, apesar da correção negativa de 2,17% nesta terça, o último preço foi de R$ 90,00 nesta praça. Sorriso, em Mato Grosso, queda de 1,80% para R$ 82,00 por saca, em Jataí/GO foi a R$ 77,55, cedendo 0,58%.

Em Paranaguá, a soja disponível terminou o dia com R$ 96,00 por saca e queda de 1,03%, enquanto em Rio Grande fechou com R$ 91,50, com queda de 0,54%. O produto da safra 2016/17, com embarques previstos para março e maio do ano que vem, a oleaginosa foi a R$ 88,00 no terminal paranaense, caindo 2,22% e a R$ 89,00 no gaúcho, com queda de 1,66%.

Nos portos, a combinação de Chicago no vermelho e dólar em queda pesa um pouco mais. A limitação, porém, chega via prêmios, os quais se mantêm ainda elevados, passando de US$ 1,40 sobre os preços praticados no mercado internacional. A moeda norte-americana, depois de um dia de queda, reverteu o movimento no final do dia e fechou com leve baixa de 0,20% e foi a R$ 3,4062.

“Você soma alguma realização depois que a Yellen não trouxe novidades com o nervosismo sobre possível atuação do BC e isso é suficiente para dar um pouco de suporte ao câmbio”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas