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04/08
Secas históricas e o reflexo para o meio ambiente

Secas históricas e o reflexo para o meio ambiente

Comemorou-se em junho o dia mundial do Meio Ambiente, mais do que nunca, os assuntos estiagem e seca são discutidos. Foram cerca de 11 meses com precipitações abaixo da média histórica; é o que indicam as medições do INMET para boa parte da região norte do Rio Grande do Sul, uma das mais castigadas do Estado, pela seca. Esse longo período sem chuvas regulares superou as secas mais recentes registradas no Rio Grande do Sul, em 2012 e 2005. Maio, foi o primeiro mês com normalidade nas precipitações.
Houve perdas significativas nas culturas do milho, soja e pastagens. Segundo dados da Emater, a quebra da safra de verão variou entre 40 a 60% na região. Houve impacto também na produção leiteira e bovinocultura de corte, já que faltou alimentação para os animais. Prejuízo que ainda é sentido pelo baixo volume produzido de silagem, que alimentariam os animais no inverno até que as gramíneas se recuperassem. Em muitos locais, faltou água até para os animais se hidratarem.
Após a colheita, a seca se manteve e os reflexos começaram a ser sentidos no abastecimento. Reservatórios apresentaram baixos níveis e algumas cidades gaúchas precisaram ser abastecidas por caminhões-pipa. Por conta das perdas ou desabastecimento, mais de 250 municípios gaúchos decretaram situação de emergência.
O nível de rios também reduziu drasticamente e o impacto ambiental ainda é grande. O solo e os mananciais encontram-se ainda sem umidade considerável. É que as chuvas recentes não foram suficientes para atingir todas as camadas e chegar aos lençóis freáticos. Segundo o superintende regional da Corsan de Passo Fundo, Aldemir Santi, é necessário chover acima da média histórica, por seis meses, para que os volumes normais de água sejam reestabelecidos.
Peixes em açudes e rios ficaram sem água suficiente, e consequentemente oxigenação. Resgastes foram feitos em barragens como a de Ernestina, e da Fazenda, em Passo Fundo. A ação, que contou com o apoio de voluntários, técnicos especialistas e pescadores, ainda do 3º Batalhão Ambiental de Passo Fundo. A ideia era transportar espécies de peixes nativos para tanques, que servirão de matrizes para realizar a reprodução de alevinos e futuramente repovoar as barragens. A escassez de peixes é sentida em vários rios e por pescadores ribeirinhos do rio Uruguai que se vivem dessa atividade. Em alguns pontos, ele podia ser atravessado a pé e peixes eram raros. Para os rios em toda a região sul, a perspectiva é a mesma: somente após meses de chuvas regulares, a situação dos volumes devem ser normalizados, já que é necessário que o solo primeiro absorva as precipitações, e posteriormente escoe para os leitos.