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14/03
SAFRINHA: monitoramento constante

SAFRINHA: monitoramento constante

No Rio Grande do Sul, em várias regiões agrícolas, as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de culturas como a soja, o feijão e o milho, tem intensificado o plantio da segunda safra de verão, ou seja, a safrinha.

A safrinha, em nossa região, tem como principal objetivo agregar mais rentabilidade ao agricultor após realizar uma safra de verão de milho. Portanto, ao invés de deixar a área sem nenhum cultivo desde a colheita do milho, que ocorre em meados de janeiro, até o plantio de inverno em maio, o agricultor aproveita esta janela para plantar e agregar rentabilidade a atividade com culturas como a soja, o milho e o feijão. Porém, precisamos ter um cuidado muito grande com a safrinha principalmente em relação a pragas e doenças.

Em meados de março, a soja, que é a cultura principal do campo, vai finalizando o seu ciclo e as pragas que nela estavam procuram um novo hospedeiro ou áreas que estejam verdes para poderem se alimentar e se reproduzirem. O principal alvo então é a cultura da safrinha. A soja e o feijão da safrinha são os principais alvos dos percevejos, vaquinhas, ácaros, trips e lagartas. O milho, por sua vez, é atacado principalmente por lagartas e percevejos.

Os percevejos são pragas importantes na safrinha, uma vez que migram com facilidade de uma lavoura para a outra. Nesta safra, temos notado a campo que a população de percevejos é consideravelmente menor do que nos anos anteriores graças ao intenso trabalho de controle feito pelo produtor em conjunto com a assistência técnica ainda durante o período vegetativo da soja na safra principal. Mas, mesmo assim temos encontrado percevejos em lavouras de soja mais tardias e em culturas da safrinha. Eles causam danos expressivos em função de abortarem vagens e grãos, bem como prejudicarem a qualidade do grão, reduzindo o peso de grãos e a produtividade final.

Os ácaros e trips podem ocorrer em grandes proporções também, porém as condições climáticas precisam ser favoráveis. Um período mais seco é determinante para a sua presença na área. As lagartas têm ocorrido em algumas áreas, principalmente de milho sem tecnologia Bt, causando desfolha e destruição do cartucho. As vaquinhas, por sua vez, têm migrado facilmente das áreas de soja maduro para as áreas verdes ou safrinha, causando desfolha e destruição do broto principal da planta, podendo causar sérios prejuízos.

Em relação as doenças, precisamos ter um cuidado muito grande em relação à ferrugem, pois estamos em um período de bastante pressão da doença a campo e como a soja está encerrando o seu ciclo, o fungo busca um hospedeiro verde para poder continuar sobrevivendo. A ferrugem causa danos de maneira rápida e irreversível. Outras doenças que também se manifestam com facilidade na safrinha são o oídio, a antracnose e o mofo branco. As medidas de controle mais eficientes são o monitoramento constante e a aplicação de fungicidas basicamente preventivas para tentar evitar a entrada da doença e levar a cultura protegida e no limpo até o final.

Portanto, as culturas da safrinha são o principal alvo das pragas e doenças daqui para frente. Como a safrinha possui uma área menor de plantio em relação a safra normal, precisamos monitorá-las num intervalo de tempo menor pois a pressão de doenças e pragas será muito maior do que na safra de verão. Assim, o monitoramento constante e a adoção de práticas de manejo adequadas garantirão uma maior rentabilidade ao produtor.

Georgia Luiza Maldaner – Engenheira Agrônoma Cotrisoja