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03/10
Rentabilidade da lavoura de trigo preocupa produtores gaúchos

Rentabilidade da lavoura de trigo preocupa produtores gaúchos

Após dois anos de safras afetadas pelas intempéries do tempo no Rio Grande do Sul, a expectativa de maior produtividade do trigo neste ciclo, com condições climáticas favoráveis, pode resultar em frustração para o produtor gaúcha na hora da comercialização em razão da queda de valor do grão. A ampla oferta mundial e a previsão de colheita cheia na América Latina já impactam no preço do trigo, que no Estado registra queda de 17,6% nos últimos dois meses. Segundo levantamento diário feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), o preço médio caiu de R$ 844,29 a tonelada no início de agosto para R$ 695,13 no final de setembro. O levantamento considera valores informados por produtores e indústrias de Passo Fundo, Ijuí, Santa Rosa e Santa Maria.

Para a analista de mercado do Cepea, Rafaela Moretti Vieira, a retração dos compradores, decorrente do maior volume de trigo importado do Mercosul, pressiona o preço para baixo. De janeiro a agosto de 2016, o Brasil importou 221,85 mil toneladas de trigo de Argentina, Paraguai e Uruguai – quase 8 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2015.

Presidente do Sindicato da Indústria de Trigo no Rio Grande do Sul (Sinditrigo-RS), Andreas Elter avalia que a safra de trigo do Estado será de “qualidade excepcional” e abastecerá quase a totalidade da demanda dos moinhos locais, que é de 1,4 milhão de toneladas. Sobre a importação da Argentina, esclarece que a decisão ocorre devido à qualidade necessária para atender à exigência do mercado.

No Rio Grande do Sul a colheita começa em meados de outubro e o grão que está sendo negociado ainda é da safra passada. Na região de Passo Fundo, os preços registraram queda de 20% em 30 dias. O valor da saca de 60 quilos caiu de R$ 45 há um mês para R$ 36 atualmente — abaixo do preço mínimo, que é de R$ 38,65 a saca — segundo a Emater. O agrônomo Claudio Doro, assistente técnico regional da Emater em Passo Fundo, comenta que o ideal seria os produtores conseguirem travar o preço para fazer contratos futuros. Mas reconhece que não há interesse.

— Os moinhos estão abastecidos, a tendência é cair mais o preço — avalia Doro.

Outros fatores contribuem para o cenário de desvalorização do produto, como os estoques mundiais, que chegam a 236 milhões de toneladas, e que serão ampliados com a entrada da safra de trigo da Argentina, que deve aumentar de 11 milhões de toneladas no ciclo passado para 14,4 milhões de toneladas neste ano. O avanço da colheita do Paraná, estimado em 3,3 milhões de toneladas, também influencia na queda dos preços.

Monitoramento para garantir qualidade

Em fase de floração, formação de espiga e enchimento de grão, as lavouras de trigo estão em período crítico, pois é nesta época que doenças oportunistas, como a ferrugem da folha e a giberela, podem surgir.

— Os produtores devem fazer o monitoramento pelo menos duas vezes por semana, mesmo com o tempo favorável — explica Claudio Doro, da Emater.

A incidência de bastante sol durante o dia e temperatura amena durante a noite, indicam que a safra gaúcha de trigo será de boa qualidade. A projeção da Emater é de que o Rio Grande do Sul colherá 2,4 milhões de toneladas, chegando a uma produtividade média de três mil quilos por hectare — o dobro da média das últimas duas safras.

Fonte: Zero Hora