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11/04
QUALIDADE DO LEITE

QUALIDADE DO LEITE

Nos últimos anos as empresas que compram leite tem aumentado a exigência por qualidade, tentando passar ao consumidor final um produto de melhor qualidade. Para isso acontecer é necessário o produtor tomar algumas medidas preventivas para vender um leite melhor e receber mais pelo produto, aumentando sua lucratividade.

O que altera a qualidade e valor pago pelo leite

– Altos níveis de Células Somáticas (CCS);
– Altos níveis de Contagem Bacteriana Total (CBT);
– Níveis de proteína (altera rendimento na hora da industrialização);
– Níveis de gordura (altera rendimento na hora da industrialização);
– Resíduos de antibióticos (descarte do leite e pagar carga do caminhão);
– Refrigeração adequada do leite após a ordenha, 4°C em 3 horas;

Como controlar os níveis de Células Somáticas

As células somáticas são componentes naturais do leite sendo compostas por células epiteliais (de descamação da glândula mamária) e por células de defesas conhecidas como anticorpos (macrófagos, neutrófilos e linfócitos).
Quando existe infecção da glândula mamária, a proporção de células de defesa aumentam em relação às células epiteliais.
Vacas com células somáticas altas são indicativas de mastite clínica ou subclínica, reduzindo a produção de leite, alterando a composição e a qualidade do produto.

Descartar os 3 primeiros jatos de leite.

Fatores como número de lactações e estágio da lactação também alteram a contagem de CCS.

Descartar as vacas com mastites crônicas.
Quando a CCS está acima de 500.000 por ml ocorre desconto pela qualidade inferior. A partir de 01/07/2016 será 400.000 CCS/ml.
Como tratar estas mastites
Durante a lactação as vacas que apresentam CCS alta, grumos na ordenha, depois de diagnosticada a mastite pelo teste da raquete (CMT) e exame clínico, elas devem ser tratadas com o uso de antibiótico injetável associado a bisnaga intramamária e anti-inflamatórios.

O Período Seco deve receber uma atenção especial com o uso de bisnaga de Vaca Seca que possui concentração maior de antibiótico, podendo ser usado selante após esta bisnaga e finalmente o uso do Pós Dipping.

Como prevenir as mastites durante a lactação

– Tratar as vacas afetadas para não contaminar as vacas sadias;
– Fazer um bom manejo de ordenha: limpar o teto antes de ordenhar, fazer a aplicação de pós-dipping após a ordenha para proteger o esfíncter do teto da entrada de agentes contaminantes, colocar a vaca na sala de alimentação após a ordenha para não deitar no barro com esfíncter aberto;
– Ordenhar as vacas com mastite por último;
– Evitar subordenha e sobreordenha;
– Uso de vacinas anti-mastites: TOPVAC; Mastiplus; J-VAC;
– Uso de aditivos como Biofórmula Leite na ração ou individualmente no cocho auxilia a redução de células somáticas e reduz os casos de mastites aumentando a imunidade do animal.

Contagem Bacteriana Total (CBT) e Unidade Formadora de Colônias (UFC)
Os níveis de CBT são indicativos de algum erro na limpeza e desinfecção dos equipamentos de ordenha que indicam acúmulo de resíduos de leite, aumentando a contaminação, reduzindo a qualidade e preço do produto. A exigência atual da indústria é de 300.000UFC/ml e a partir de 01/07/2016 será de 100.000 UFC/ml.
Que os tipos de resíduos se acumulam nos equipamentos de ordenha
Componentes orgânicos: (gordura, proteína e lactose) são retirados com detergentes alcalinos de uso diário;

Componentes minerais: sais presentes no leite (cálcio, magnésio e ferro), são removidos com o uso de detergentes ácidos aplicados semanalmente.

Limpeza dos equipamentos

– Desconectar a tubulação do tanque para drenar os resíduos que ficam na bomba de leite;
– Enxágue inicial pode ser feito com água morna (35° a 40°C) para retirar os resíduos solúveis de leite;
– LIMPEZA COM DETERGENTE ALCALINO:
Fazer a limpeza utilizando a concentração certa de produto indicada pela empresa com a água quente, acima de 70°C durante 10 minutos, a cada ordenha;
– LIMPEZA COM DETERGENTE ÁCIDO:
Fazer a limpeza do detergente ácido com água morna 35°C durante 5 minutos, semanalmente, para aumentar a vida útil das borrachas das teteiras;
– Desinfecção: antes da ordenha com produtos a base de cloro para eliminar bactérias sobreviventes de ordenhas anteriores;
– Fazer a limpeza do resfriador após a retirada do leite.

Um manejo adequado reduz os índices de mastites clínicas e sub-clínicas, reduzindo as perdas por descarte de leite e gastos com medicamentos.

Vacas saudáveis produzem mais leite, com mais qualidade, aumentando o lucro para o produtor.

Juliano Camargo Preto
Médico Veterinário Cotrisoja Tapera

Veterinário Juliano