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12/03
Protagonista da própria história

Protagonista da própria história

Para a família de Rosani, o ano de 2016 foi marcado por dias de agustia, incertezas e muita oração. Ela, porém, se tornou um exemplo de otimismo e superação.

Uma verdadeira protagonista da própria história.

A nossa entrevistada conta como tudo aconteceu: “Engravidei em maio de 2016. Com pouco mais de 06 meses de gestação comecei a passar mal. Internei as pressas no dia 23 de novembro em Passo Fundo e só retornei no dia 19 de dezembro. Minha filha Lavínia, nasceu dia 26 de novembro, mas só pode vir para casa no dia 11 de fevereiro.”

Rosani Cornelli, de 36 anos, é professora de Química, casada com o Cléber e mãe da Lavínia, de 01 aninho e do Caetano, de 09. Filha dos associados Ilário e Iria Terezinha Cossul, mora com a família em Linha Floresta, interior de Selbach.

Ela conta a batalha que travou em defesa da própria vida e da filha, após descobrir que estava portadora da Síndrome de Hellp: Meu marido é filho único e ele sempre dizia que não queria deixar essa herança para o nosso filho mais velho. Então, desde que descobri minha doença, sempre mantive o meu pensamento muito positivo. Quando o médico veio no quarto, ele contou que de um dia para outro todos os meus exames tinham dado alterados e que eu teria que fazer a cesariana de emergência. Na mesma hora, olhei para o meu marido e disse: ‘Não sei o que eu tenho, mas não vou morrer’. Todos na minha família tinham esse mesmo pensamento positivo. Eles sabiam que tudo daria certo.

Após o nascimento da Lavínia, eu permaneci sedada por 10 dias. Fiquei com várias cicatrizes no meu corpo, mas eu costumo dizer que são marcas de amor, de superação e de vitória. A síndrome que eu tive,é uma complicação obstétrica rara, pouco conhecida e de difícil diagnóstico, que acontece durante a gravidez ou no pós-parto, podendo causar a morte da mãe. Fiquei temporariamente sem poder andar, falar, com dificuldades para me alimentar e uma série de outras complicações. Só pude ver minha filha quando ela tinha 17 dias de vida. Foram tantas orações e pensamentos positivos, que ela também se recuperou completamente de tudo isso.

Quando eu recebi a alta hospitalar e estava pronta para voltar para casa, os médicos me contaram emocionados: ‘Não sabemos em que você acredita e nem qual é a sua religião, mas continue com esta força, pois nós achávamos que iríamos te perder’”.

Quando perguntado sobre o comportamento do filho durante o tempo de internação da mãe, o marido Cléber se emociona: Era uma situação difícil de lidar. Nos dias em que eu estava em Passo Fundo, ele me ligava pelo menos umas 10 vezes por dias para saber como a mãe e a mana estavam. Mesmo nos piores momentos, eu respirava fundo e tentava passar uma mensagem otimista. Não foram poucas as vezes em que o Caetano me disse:’Pai, pede para os médicos não deixarem a minha mãe morrer. Diz para eles que você tem dinheiro, que você vai tirar tudo o que tem do banco e dar para eles. Só pede que a mãe e a mana fiquem bem’. Eu quase não conseguia mais falar. Um pedido desses vindo de uma criança, na época com 08 anos, é complicado para a gente lidar. Então eu vinha pra casa e explicava que não era assim, não era pelo dinheiro. Pedia que rezasse. E isso, ele fez bastante”.

Essa emocionante história de fé e amor, uniu uma comunidade inteira em oração. Todas as noites, perto das 22 horas, familiares e vizinhos acendiam velas, se ajoelhavam, se davam as mãos e começavam a rezar. A associada prossegue a história: Lembro que eu sonhava muito e eu via a minha mãe e a minha irmã em forma de anjo. Eu também via uma luz azul muito forte, parecia um diamante lapidado. Acredito que foi esta luz que me curou. Havia ao redor de mim uma corrente muito positiva, uma energia muito forte, vinda de muitas pessoas. Foi uma história que comoveu muita gente, uma história de mãe e filha”.

A professora de química também fala um pouco sobre a Cooperativa da Família: A Cotrisoja representa muito pra mim. Quando fui para o quanto e fiquei sabendo das várias viagens que a Cooperativa proporcionou para que os voluntários pudessem realizar as doações de sangue para mim, eu fiquei muito emocionada. A Ivone, que trabalha na unidade da Cooperativa em Floresta, praticamente bateu de porta em porta pedindo para que as pessoas doassem sangue. E foram muitas professoras, muitas pessoas da comunidade que participaram. Me emociono até hoje cada vez que lembro.

Meu avô já era associado da Cooperativa. Meu pai se associou e 1974, lembro “de cór” o número da matrícula dele. Desde criança, eu via Cooperativa como uma esperança da nossa família, pois era lá que meu pai buscava tudo o que ele precisava. Na época, tínhamos um Corsel 01 e eu lembro que o pai ia até a Cooperativa em Selbach porque as outras unidades eram bem pequenas ainda e não tinham muita estrutura. A Cooperativa em Selbach era uma referência para nós. Tudo o que meu pai precisava para a propriedade, ele trazia de lá. Casei com 25 anos e meu marido também se associou pouco tempo depois de vir morar para cá. Posso dizer que a produção da família é toda entregue na Cotrisoja”.

Rosani conta que sempre teve exemplos de cooperativismo dentro de casa: “Meu pai sempre nos ensinou que todos tinham que ajudar. Lembro que desde os 10 anos de idade, eu e minha irmã já ajudávamos a tirar leite, do nosso jeito, mas ajudávamos. O pai e a mãe sempre enfatizavam que precisava estar tudo muito limpo e organizado. O pai gosta de fazer as coisas da forma correta, de ser sempre muito positivo. Acho que é por isso também que as coisas acontecem, fluem.

Esse ano optei por ficar em casa cuidando a Lavínia. Meu pai sempre e deu a possibilidade de não trabalhar fora, sempre deixou claro que teria trabalho suficiente na propriedade, mas dar aula é uma atividade com a qual me realizo. Meu avô dizia que terra é sempre terra e aqui é um lugar que eu gosto. Não me vejo morando na cidade. A propriedade me proporciona segurança”.

Perguntada sobre qual lição podemos tirar de sua história, Rosani responde: A força e a fé são o que regem tudo. Não importa o que aconteça, temos que tentar fazer sempre o melhor. Com força, saúde e fé, somos capazes de superar tudo”.