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26/10
Pragas iniciais na cultura da soja

Pragas iniciais na cultura da soja

No estado do Rio Grande do Sul, existem muitas pragas que atacam as plantas de soja em seu estádio inicial. As pragas iniciais são aquelas que ocorrem nos primeiros estádios de desenvolvimento da cultura, ou seja, até 25/30 dias após a emergência da cultura. A emergência uniforme das plântulas e o bom desenvolvimento destas são fatores extremamente importantes para a determinação do rendimento da cultura da soja.

As pragas iniciais podem destruir a semente em processo de germinação ou até as plântulas, o que acarretará na redução de estande [número de plantas por unidade de área] ou afetar o desenvolvimento da planta que tenha resistido ao ataque. Entre as que mais tem preocupado os produtores estão o tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus), os corós (Demodema brevitarsis, Diloboderus abderus e Phyllophaga triticophaga), as vaquinhas (Diabrotica speciosa e outras espécies), a lagarta elasmo ou broca-do-colo (Elasmopalpus lignosellus), as lesmas e os caracóis.

Os corós atacam sementes e raízes das plantas podendo causar desde decréscimos no rendimento até a morte das plantas. Quando o ataque destas pragas ocorre na fase inicial, as plantas atacadas podem morrer resultando em falhas na lavoura. Mas, geralmente, o ataque ocorre em reboleiras.

A lagarta elasmo, mais conhecida como broca-do-colo, penetra na planta logo abaixo do nível do solo, cavando uma galeria ascendente no caule, o que pode debilitar, facilitar a quebra ou matar a mesma. A incidência deste inseto em nível de dano ocorre principalmente em solos secos e arenosos.

A grande quantidade de chuvas nesta época também está favorecendo o ataque de lesmas e caracóis, uma vez que sua ocorrência geralmente é em locais úmidos e com maior abundância de palha. Estas pragas podem destruir os cotilédones, causar desfolha e até mesmo a morte das plântulas.

As vaquinhas, das quais a mais conhecida é a patriota, atacam as partes vegetativas das plantas de soja, provocando desfolhamento. Geralmente não causam danos expressivos, a não ser em situações em que a área fotossintética é comprometida e que a planta não consegue se recuperar.

O tamanduá-da-soja, também conhecido como raspador ou bicudo-da-soja, tem preocupado os produtores que trabalham com monocultura de soja e nas áreas vizinhas a cultura do milho. Caracteriza-se por ser uma praga que ataca quase que exclusivamente soja e feijão, sendo que o adulto raspa e desfia os tecidos do caule e ramos. Quando o ataque ocorre em altas populações na fase inicial da cultura o dano é irreversível, ocasionando morte das plântulas.

As larvas desenvolvem-se no interior das hastes ou ramos, no local onde as fêmeas colocaram ovos, provocando uma calosidade típica que impede a normal circulação da seiva e pode prejudicar de forma expressiva a produção. Esta injúria também representa um ponto de fragilidade em hastes e ramos da soja, que quebram com facilidade mediante qualquer impacto físico.

No período vegetativo, a partir do estádio V3, a atenção do produtor deve estar voltada às lagartas desfolhadoras que podem causar a redução da produtividade da cultura.

Medidas de controle:

As estratégias de controle destas pragas devem ser adotadas considerando, além do potencial de danos, os componentes que afetam a produção e as consequências de suas interações com as demais práticas. Assim, a assistência técnica deve ser procurada diante de qualquer dúvida a respeito do controle. A orientação é que antes da semeadura seja feita uma vistoria no interior e na superfície do solo para detectar a presença de pragas iniciais. Dependendo do problema encontrado, deverá ser feita a opção pelo tratamento de sementes, como é o caso de corós e do tamanduá da soja. O controle dessas pragas pode ser feito também através de pulverização de inseticidas sobre a cultura, como por exemplo, para adultos do tamanduá-da-soja, piolho-de-cobra, grilos, gafanhotos e vaquinhas. De acordo com o Gerente da Unidade de Tapera e Coordenado do Depagro, Gerson Kuffel, o tratamento de sementes é indispensável para a ótima condução da lavoura. “Hoje temos produtos muito eficientes que controle quase a totalidade das pragas iniciais com seu respectivo residual e proteção, muita vezes dependendo da adição de outro em via aéreo para controle efetivo da praga presente, exemplo de praga difícil controle é a lagarta Helicoverpa armigera. O tratamento de sementes pode se tornar ineficiente de quando temos uma estiagem prolongada, como os produtos são sistêmicos ele não terá condições de translocar na planta e combater as pragas, necessitando usar inseticidas via aéreo para o controle efetivo. Nas aplicações via aéreo devemos primeiramente identificar a praga em questão, ai tomar a decisão correta para realizar a aplicação mais efetiva possível e cuidar do meio ambiente onde neste existe muita espécies benéficas bem como os inimigos naturais.”

A fase crítica do manejo de pragas da soja é a do controle do percevejo, principal praga da cultura. Ao contrário da lagarta, o produtor não percebe rapidamente os danos provocados por esse inseto. Por isso é preciso monitor o percevejo por meio de amostragem, para não perder o momento correto de aplicação do inseticida, e observar a densidade populacional em que se encontra. A recomendação da amostragem é de dois percevejos por metro de fileira de soja para grãos e um percevejo por metro de fileira de soja para produção de sementes.

Outras pragas que ocorrem na cultura da soja são os ácaros, que aparecem, normalmente, devido a condições de desequilíbrio provocadas no início de desenvolvimento da cultura, por manejo realizado de forma inadequada.
“Devemos saber lidar e monitorar as pragas iniciais para futuramente termos sucesso e obtermos a maior produtividade possível,” finaliza Kuffel.