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08/11
Potencial da cevada ameaçado

Potencial da cevada ameaçado

Produtividade deve ficar 10% abaixo da expectativa do início do ciclo, com média de três toneladas por hectare

As condições climáticas adversas devem impactar na produtividade e na qualidade da produção de cevada cervejeira — de maior qualidade — no Rio Grande do Sul. Após duas safras frustradas e expectativa de colheita farta neste ano, o excesso de chuva das últimas semanas poderá ocasionar redução de 10% no rendimento esperado para a cultura — 3,3 toneladas por hectare. Diante do cenário, as lavouras gaúchas ainda têm potencial para produzir 153 mil toneladas do grão se considerada nova estimativa de produzir três toneladas por hectare.

— Há clima de apreensão, pois a qualidade ainda é duvidosa em função do tempo — avalia o agrônomo Claudio Doro, gerente regional da Emater em Passo Fundo, onde a colheita começou nessa semana.

De acordo com o técnico, alguns produtores coletaram amostras e já verificaram que o grão não terá qualidade para cevada cervejeira.

O Estado tem 1,6 mil produtores integrados à Ambev, que possui duas maltarias em solo gaúcho, uma em Porto Alegre e outra em Passo Fundo.

De acordo com os dados da empresa, nesta safra foram semeados 51 mil hectares de cevada — 8,5% a mais que em 2015, mas bem abaixo dos anos 1990, quando a área cultivada chegou a 100 mil hectares.

A instabilidade climática é um dos entraves para a expansão da cultura no Rio Grande do Sul. Entretanto, há alguns atrativos capazes de estimular os agricultores. Um deles é o custo de produção 15% menor em relação à cultura do trigo, destaca o agrônomo Euclydes Minella, pesquisador em melhoramento genético da Embrapa Trigo, de Passo Fundo. A liquidez do grão é outra vantagem, já que neste caso o produtor é integrado e tem garantia de compra pela indústria.

Produção 100% Ambev

No Rio Grande do Sul, todos os produtores de cevada em escala comercial são integrados à Ambev. Para abastecer as maltarias, são necessárias 270 mil toneladas do grão/ano. Para 2017, deverá ser importado menos de 50% da demanda. Em 2016, chegou a 90% do volume, em função da quebra de safra. Para driblar a falta de matéria prima, a Ambev estimula estudos sobre a cultivar.

— Precisamos ter as variedades corretas para os produtores certos nas regiões corretas — explica o diretor de Agronegócio da Ambev, Marcelo Otto.

Para avançar no melhoramento genético, 300 variedades estão em estudo. Deste total, 20 cultivares podem entrar no mercado em até dois anos e duas devem ser disponibilizadas aos produtores em 2017. Desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a Ambev, as cultivares estão em teste. O material foi apresentado aos produtores em dia de campo realizado em outubro, em Passo Fundo. Hoje, os produtores utilizam quatro variedades. Segundo Otto, a pesquisa em genética e manejo ajuda a intensificar e atingir o potencial máximo do cereal.

Um dos objetivos da Ambev é aumentar a quantidade de proteína do grão. O tema vem sendo pesquisado pela Faculdade de Agronomia da Universidade de Passo Fundo (UPF).

CEVADA NA MALTARIA

O processo de malteação do grão de cevada demora, em média, seis dias. Confira como funciona:

1ª etapa – Maceração: é a imersão da cevada em água potável. O grão é submetido a condições de umidade para estimular a germinação.
Tempo médio: 35 horas

2ª etapa – Germinação: o grão fica em temperatura entre 15ºC e 20ºC para desenvolver enzimas necessárias ao processo de malteação.
Tempo médio: 80 horas

3ª etapa – Secador: é feita entre 20ºC e 100ºC, conforme o malte que a indústria pretende obter – claro ou escuro.
Tempo médio: 20 horas

Fonte: Zero Hora