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17/05
Pela primeira vez em seis anos safra brasileira de grãos não vai ser recorde

Pela primeira vez em seis anos safra brasileira de grãos não vai ser recorde

A safra de milho deverá ficar bem abaixo do que era previsto pela CONAB. Com isso, após sucessivos recordes, a produção de grãos deste ano será menor do que a produção da safra anterior.

O 8º levantamento da CONAB mostra que a safra 2015/2016 deve ser de mais de 202 milhões de toneladas. O volume é elevado, mas ainda assim, são 6,62 milhões de toneladas a menos do que o apontado no levantamento de abril – uma queda de 3,16%.

Se compararmos com a safra 2014/2015 a redução é de aproximadamente 5,3 milhões de toneladas – queda de 2,5% de um ano para o outro.

Segundo o presidente interino do CONAB, Igor dos Santos Nascimento, a falta de chuva vem colaborando para a queda na produção. “Essa quebra que se dá devido a escassez de chuva no periodo e o aumento da temperatura e também se você for ver aí, tivemos os produtores que plantaram fora da janela em comparação ao ano passado, a janela do ano pasado teve um momento certo, mas esse ano eles retardaram mais um mes. O milho safrinha foi o que mais sofreu com a instabilidade do clima. O produto é o grande responsável pelo recuo na projeção da safra. A estimativa é que o Brasil colha neste ano 53 milhões de toneladas – 4 milhões abaixo do que se previa em abril, ou seja: queda de 7%. Mas, em relação à safra 2014/2015, a redução é um pouco menor, de 3%.

Goiás é um dos estados que apresentam uma forte queda na produção do milho.
Segundo um levantamento feito por uma universidade de Rio Verde-GO, o mês de abril desse ano foi o mais seco dos últimos 20 anos na região. O engenheiro ambiental Gilmar Oliveira está preocupado: “chove, na média, 93 mm no mês de abril. E se nós pegarmos o mês de abril de 2016, não caiu uma gota de chuva aqui nessa região”.

A previsão, que em fevereiro era de colher 7,7 milhões de toneladas, deve cair para 5,5 milhões (IBGE).

Em SC, os criadores de suínos sentem o impacto da produção menor e dos preços mais altos do milho. Uma família de criadores de Chapecó, no oeste catarinense, abandonou o ciclo completo de criação dos suínos e hoje trabalha só com a reprodução dos leitões. Mas nos últimos meses a situação começou a complicar. O problema foi o aumento preço do milho que representa 75% da ração dos animais. Felix Muraro comenta que no ano passado, a saca de milho que era encontrada por cerca de R$ 25, agora em 2016 não sai por menos de R$ 52.

Enquanto o preço do milho subiu, o do suíno que está em queda. Em 2015, nessa mesma época, o criador recebia pelo quilo do animal R$ 3,30. Agora não passa de R$ 2,80. Isso se reflete nos custos de produção. “Cada vez mais a gente ta vendo o custo de produção subir e o preço cair. Então ficou uma diferença muito grande para a suinocultura”, lamenta Felix.

A situação atinge também as agroindústrias que trabalham com o sistema de integração. Mário Lanznaster, presidente de uma cooperativa, a solução foi buscar milho fora do Brasil. Eles utilizam 90 mil sacas de milho por dia, para alimentar as 34 milhões de aves e 1 milhão de suínos dos agricultores integrados e estão importando o produto da Argentina.

A expectativa pra quem depende da criação de animais é que, para as próximas safras, o preço do milho volte a baixar.

Fonte: Globo Rural