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26/07
O TRIGO NA SAFRA 2016 – 2017

O TRIGO NA SAFRA 2016 – 2017

Nos últimos anos, o comportamento climático irregular das regiões agrícolas do Estado está sendo fundamental na tomada de decisão dos agricultores em investir nas culturas de inverno, entre as quais se destaca o cultivo do trigo. A semeadura das lavouras iniciou na segunda quinzena de maio, entretanto, cercada de dúvidas e incertezas dos produtores e das instituições financeiras quanto à sua rentabilidade. Segundo o que afirmou a CONAB (2016) houve uma redução de 11,2% da área cultivada com trigo no Estado, sendo a semeadura realizada em 765 mil hectares.

A boa notícia está relacionada à produtividade que, considerando as enormes perdas nas safras anteriores, quando as produtividades ficaram muito baixas, espera-se a recuperação destes índices, chegando a 2.725 Kg/ha, aumentando 42,4% a produtividade quando comparada à safra anterior. Desta maneira, o Rio Grande do Sul apresenta crescente tendência de produção na safra 2016/17. Entretanto, continuará com forte dependência externa, sendo o trigo um dos produtos agrícolas de maior volume nas importações do Estado.

Outro ponto a ressaltar é a pouca incidência de chuvas ocorrida desde a segunda quinzena de maio nas principais cidades tritícolas da região, o que causou baixa umidade no solo provocando germinação e estabelecimento desuniformes das plantas, fatores que poderão comprometer a produtividade das lavouras. A meteorologia indica a possibilidade de volumes consideráveis de precipitações para a primeira quinzena de julho, o que agrada muito aos triticultores, pois a baixa umidade do solo também tem impedido a realização de tratos culturais, como a aplicação de adubação nitrogenada de cobertura nas lavoras semeadas mais no cedo e o controle de plantas daninhas, os quais são de grande importância no sucesso da lavoura de trigo.

A adubação nitrogenada impacta diretamente na produtividade da cultura do trigo, sendo necessário que o produtor tenha conhecimento da dinâmica deste nutriente no solo bem como das variadas quantidades necessárias de nitrogênio (N) nos tratos culturais realizados no cultivo do trigo.

O “N” no trigo:

Os cereais de inverno cultivados no Sul do Brasil geralmente apresentam boa resposta à aplicação de Nitrogênio. Isso é decorrente do suprimento insuficiente de N dos solos para atender a demanda das plantas. Inicialmente aplicamos N na semeadura visando o arranque inicial, estimular o perfilhamento e favorecer o tamanho de espigas do trigo que já começam a ser formadas. A cobertura deve ser feita preferencialmente quando a planta apresentar de 4 a 6 folhas (em geral de 30 a 40 dias após a semeadura), pois neste momento a planta responde aumentando o número de espigas e consolida o número de grãos por espiga. Caso a prática seja colocar a cobertura em duas ocasiões, a primeira pode ser antecipada com a planta tendo de 3 a 4 folhas e a segunda aplicação quando as plantas apresentarem ao redor de 7 folhas completas.

O manejo da adubação nitrogenada no momento da semeadura dá-se em pequenas quantidades, e este volume menor deve-se à mobilidade deste nutriente no solo que, ao contrário dos demais macronutrientes, é o que apresenta os maiores índices de perdas, busca-se também evitar que este nutriente seja arrastado para longe das raízes quando ocorrem chuvas de média a alta intensidade e venha a faltar mais tarde, no momento de maior demanda de N pelos cereais.

Na adubação de cobertura, ou seja, aquela realizada após a emergência dos cereais recomenda-se maiores quantidades de N. Este suprimento é necessário a partir do início do perfilhamento, pois a demanda por nitrogênio é maior em função da maior necessidade das plantas pelo N. Neste momento se determinam os maiores benefícios para o estabelecimento do potencial produtivo dos cereais de inverno, em geral, incrementos significativos no rendimento de grãos estão sendo definidos neste momento.

Outro ponto importante a observar para a base do sucesso da adubação nitrogenada não é só a quantidade do adubo a ser aplicado, mas também as condições climáticas e época em que o mesmo é disponibilizado à planta. Pois, a época ou o momento em que se aplica o nitrogênio vai determinar qual componente vai se refletir no aumento da produção de grãos.

Devemos também observar que adubos nitrogenados em geral, quando adicionados ao solo, requerem certa quantidade de água para sofrerem hidrólise (desintegração da sua estrutura, pela ação da água) e assim liberarem os compostos nitrogenados que vão nutrir as plantas cultivadas. A utilização máxima de N ocorre quando a aplicação desses adubos (especialmente a ureia) é seguida imediatamente de precipitação pluvial ou de irrigação de uma lâmina de água, o que nem sempre acontece.

Dependendo da umidade e da textura do solo, a água será suficiente para incorporar todo o N na camada de solo mais densamente ocupada pelas raízes das plantas que estará de 5 a 15 cm de profundidade. Se o solo estiver úmido na superfície, a dissolução dos nitrogenados ocorrerá num curto espaço de tempo facilitando a disponibilidade do nutriente. A hidrólise da ureia é lenta quando a temperatura for baixa, como no inverno. Nesse caso, ocorrendo chuvas de 3 a 6 dias após a aplicação, o aproveitamento de N da ureia será melhorado.

É importante ressaltar que cada área e cada produtor têm as suas peculiaridades e precisam ser respeitadas como um todo. O futuro da agricultura está na mãos dos mais eficientes e, com isso, é preciso estar atento às inovações e principalmente fazendo as ações com um planejamento antecipado e sempre buscando orientação técnica. A Cotrisoja conta hoje com um corpo técnico capacitado e atualizado, estando apto para este auxilio ao produtor. Contate a sua unidade de atendimento que teremos o maior prazer em receber os Senhores produtores.

Jonatas dos Santos Maciel
Engenheiro Agrônomo