Notícias Cotrisoja

Fique por dentro do que acontece no mercado agrícola regional, nacional e internacional

20/06
O agro é pop: o setor que mais cresce na economia brasileira

O agro é pop: o setor que mais cresce na economia brasileira

Diante das incertezas do mundo político a dúvida paira: o agronegócio vai conseguir manter o potencial de crescimento?

O agro é pop: o setor que mais cresce na economia brasileira – Destaque Rural

A música da banda os Engenheiros do Hawaii, o papa é pop, de 1990, é conhecida pelo verso “o papa é pop, o pop não poupa ninguém” e é difícil encontrar alguém que nunca tenha cantarolado esse verso em algum momento. E não é só o papa, que naquela época nem era argentino, que é pop.

O agronegócio, setor que mais cresce no Brasil, também virou. Considerado vilão por algumas esferas da sociedade, o agronegócio, que tem o peso de carregar uma economia nas costas – só o PIB do setor cresceu mais de 13%, o que impulsionou o crescimento do PIB brasileiro, depois de anos na recessão – vive um dos seus melhores momentos.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2016/17 vai ultrapassar as barreiras de 200 milhões de toneladas, um crescimento de mais de 20% em relação à safra passada. A soja, principal produto brasileiro, correspondeu a metade das exportações do agronegócio em maio. Esse crescimento, que é sinônimo de tecnologia de ponta aplicada às lavouras, precisa ser mantido. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Felippe Serigatti, acredita que o Brasil não terá restrições em manter este crescimento, no entanto, ressalta dois pontos relativos à economia que, em sua opinião, podem gerar “ruídos” ao setor: a taxa de câmbio e os recursos para as políticas agrícolas. Quanto ao primeiro item, Serigatti destaca que a incerteza do comportamento da taxa de câmbio pode trazer dificuldades ao planejamento do produtor rural. “O produtor pode ter dificuldades para decidir o momento de comprar seus insumos (e quais insumos adquirir), bem como qual o momento de realizar a venda da sua produção. Infelizmente, dadas as incertezas aqui no Brasil, tanto do lado econômico quanto, principalmente, do lado político, o potencial de volatilidade da taxa de câmbio ainda é alto”. Com relação ao segundo ponto citado, o professor argumenta que como o Estado brasileiro enfrenta uma crise em suas finanças, é possível que os produtores não tenham o apoio que esperavam do governo. “Ninguém passará ileso pelos necessários ajustes, nem o universo agro”, salienta.

Assim como em outras áreas brasileiras, o agronegócio é diretamente afetado pela política e pelas suas consequências. O professor da FGV acredita que mesmo com a criação de organismos para diminuir os riscos de exposição, como riscos climáticos, de pragas e doenças, de preços, esses mecanismos ainda são imperfeitos. “Embora são instrumentos imperfeitos, o setor tem conseguido avançar com muitos méritos”, lembra Serigatti. Para o conselheiro fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), José Luiz Tejon Megido, o setor sempre dependerá de variáveis incontroláveis. “O câmbio, política, clientes, mudanças tecnológicas, governos, terras, isso tudo faz parte do lado das incertezas. Para melhorar esta segurança, ‘a gente’ precisa ter mais organização e planejamento para enfrentar as épocas incertas”, comenta o conselheiro.

Para ele, um dos fatores que podem ajudar são a manutenção e criação de mais acordos bilaterais entre países. Em média, para um país aceitar as importações e para dar início as trocas, levam-se 10 anos. O Brasil fica atrás de países como Singapura e Indonésia no quesito de comercialização mundial dos produtos agrícolas: apenas 6,9% do que é negociado a nível agrícola e pecuário pertence ao Brasil.

Em outros rankings, como o que mede a liberdade econômica de um país, os brasileiros continuam atrás: de 180 países pesquisados pela Fundação Heritage, o país ocupa a 140ª posição, sinônimo de um dos países mais fechados do mundo.

O governo federal anunciou na última semana os recursos para o Plano Agrícola e Pecuário 2017/18: mais de R$ 190 bilhões para o custeio. Apesar de ser o maior recurso já liberado na história para financiar as atividades agrícolas e pecuárias, o Ministério da Agricultura admite que este recurso foi o que deu para conseguir junto a equipe econômica.

Tejon acredita que o Brasil vai conseguir manter este potencial de crescimento do agronegócio no segmento “dentro da porteira” (plantio, manejo, colheita, beneficiamento, manutenção de fábricas e entre outros), visto as produtividades elevadas da última safra. Para ele, os desafios em manter o crescimento estão do outro lado. “Fora da porteira nós temos que enfrentar problemas, de infraestrutura, logística, de mecanismos de crédito, ou seja, ‘dentro da porteira’ nós temos soluções”, argumenta o conselheiro.

 

Redação Destaque Rural