
"A vivência nos traz conhecimento e muita experiência". Assim Evanir Richter concluiu a conversa com o Cooperação Cotrisoja. Ele reside em Santa Isabel, Selbach e trabalha em uma pequena propriedade em parceria com a sogra, Luisa Engler, 88 anos, "mas de cabeça aberta e sempre em atividade, incluindo o conhecimento e ocontrole do trabalho na propriedade, ela ainda toma decisões importantes para a sua saúde e aparência e aceita as inovações da tecnologia com tranqüilidade. E tem as orquídeas especiais cuidadas
pela vovó!", disse Elisabeta.
O casal Evanir e Elisabeta se envolve todo tempo no cuidado com sua propriedade. Ela tem
como hobby uma criação de perus, dedica cuidado especial ao jardim e à horta, recebe as crianças para dar catequese no sábado pela manhã, está envolvida com a atividade
leiteira, tem árvores frutíferas tradicionais, mas faz questão de dizer que também tem acerola, carambola, jabuticaba, kiwi e fisalis. Ela ainda trabalha na lavoura, cuida de duas casas e, quando o serviço aperta, ainda cuida dos serviços de banco. Ele, como hobby,
desenvolve artesanato em madeira para embelezar a sua propriedade. Ele também inventou e construiu um dispositivo que, de dentro de casa, para não sair no frio,
solta as vacas do cocho.
Na propriedade há uma diversificação bastante grande com dedicação e aplicação para o maior rendimento de qualquer das culturas desenvolvidas. O leite está presente desde que a Cotrisoja iniciou o recolhimento, quando a atividade
era exercida pelos pais. "Eram entregues oito litros/dia, em tarros". Hoje a propriedade tem 18 vacas que produzem em média 22 litros/dia "e não aumentamos o número de animais por causa da mão-de-obra ser familiar e também porque está faltando incentivo no
preço, mas há estrutura física. Para nós esta é uma média satisfatória, pois a alimentação do rebanho é pastagem, silagem e ração no cocho". Um comentário feito por
Evanir que merece ser considerado: "Em certas épocas do ano é mais viável reduzir o número de animais em produção. Hoje o leite está passando por um momento
difícil". Elisabeta diz que "o grão pode esperar para ser comercializado, aguardando um
melhor preço, mas o leite não pode e por isso o produtor "deve" pegar o que lhe é oferecido no momento. Mas, apesar de tudo, é um dinheiro que entra todos os meses".

Gerson Kuffel, Gerente da Unidade de Selbach, Laertes Cossul, Eng. Agr.,
Evanir,
Elisabeta, Luisa e a estagiária Franciele Leite.
Os menos de 50 hectares são ocupados com grãos: soja, milho, trigo e pastagem. O milho se destina para silagem, ração e grão. Sempre a área é ocupada com 2/3 de soja e 1/3 de milho, isso já há 15 anos. "A análise de solo é feita a cada três anos, sempre antes de plantar o milho porque ele oferece a rotação para a pastagem, formando um conjunto".
Gerson Kuffel, gerente da unidade Cotrisoja/Selbach, que participava da entrevista, disse que "plantio direto se faz com milho". Evanir tem parceria de 50% com a sogra: as áreas são somadas e os investimentos repartidos. Essa parceria iniciou quando Evanir casou e veio morar com o sogro, porém, naquela época ele recebia 25% dos resultados pelo
trabalho que ele realizava na propriedade. "Para o agricultor hoje realizar suas culturas em pequena propriedade não necessita de muitos implementos: pulverizador, semeadeira, lancer, trator para atender as necessidades. Porém, precisa muito trabalho, dedicação e capricho, isto é, fazer bem feito
(dessecação, semente tratada, aplicação de tecnologia e uma boa regulagem da plantadeira). Um bom plantio já é meia colheita. E para complementar, é necessário o
acompanhamento do desenvolvimento da cultura. Não tenho colheitadeira porque já existe desde 1991 uma parceria comigo e os vizinhos Elio e Libório Muller: eu transporto a produção deles e eles realizam o trabalho de colheita na minha propriedade. No leite, nada como o próprio dono realizar as atividades".
Evanir e Elisabeta dizem que "por causa da diversificação ainda estamos vivos na atividade. O nosso município é composto basicamente de pequenas propriedades
que praticam a diversificação para sobreviver. Para a lavoura dar retorno é preciso investir. Para a vaca dar leite precisa ser alimentada. Houve uma época em que pensei
investir em suíno, mas vi que a mãode-obra familiar não seria suficiente para tanta atividade".
Luisa Engler, mãe de Elisabeta, nasceu em Linha Capivara, hoje São Pedro, casou e
veio morar em Santa Isabel. O casal começou com apenas 3 hectares e foram comprando sempre pequenas áreas, quase de hectare em hectare. "Havia mato e capoeira e
aos poucos a paisagem foi sendo transformada. Há pinheiros plantados há 35 anos".

Ao lado, Elisabeta e a criação de perus.
Elisabeta diz que o pai tinha muita preocupação com quem ia trabalhar à noite com o trator. Próximo à residência havia um barranco e o pai, para tentar proteger de acidente, plantou mudas de erva-mate. Luisa joga bingo todas as quartas-feiras na comunidade
quando o grupo se encontra para se distrair, exercitar a memória e ter um momento de convivência. E ela dá um conselho para os mais jovens: "Praticar sempre a honestidade
para ter seu nome sempre limpo, seguir o caminho do bem, ser fiel (deixar de lado a troca) e conviver em harmonia com as pessoas que vivem ao seu redor".
Evanir e Elisabeta estão casados há 25 anos e têm dois filhos: Ismael, mora em Cruz Alta e cursou
Ciência da Computação e Sandra, que está em casa e estuda à noite, está cursando Técnico em Enfermagem.
Evanir disse "que não penso em morar na cidade porque aqui é bom: o ar é puro, temos frutas à vontade e tantas outras vantagens.Hoje, os animais nos prendem". Elisabeta diz que "90% das mulheres se acomodaram. Mas, para a família ter sucesso e viver
bem, deve haver parceria entre marido e mulher em todos os sentidos. Mesmo vivendo no interior, hoje a mulher precisa estar atualizada. Conhecimento nunca é demais.
Eu tenho exemplo: a mãe trabalhava com o pai na roça e não tinha conhecimento de mais
nada".
O casal Evanir e Elisabeta foram líderes da Cotrisoja e integram a diretoria da comunidade. Eles dizem que "a existência da Cotrisoja é muito importante para o agricultor, para o desenvolvimento do agronegócio, para o desenvolvimento do município. Ela presta uma excelente assistência médico-veterinária e agropecuária para que o associado/produtor tenha sucesso. Ela quer isso sempre".
|