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26/08
Nitrogênio parcelado gera aumento de produtividade

Nitrogênio parcelado gera aumento de produtividade

A exemplo do que se faz comumente na Europa, gaúchos conseguem aumentar a produtividade nos trigais com a aplicação da ureia em etapas, não de uma só vez, como mandava a praxe

Se no Brasil a soja é a rainha, na Europa o trigo é o rei – a principal das culturas do velho continente. Lá, o ciclo da planta é de 270 dias e o nitrogênio,o insumo mais importante para esse cereal, é aplicado de forma parcelada, em até cinco vezes. A prática serve para diluir o risco climático e acaba interferindo positivamente na produtividade e na qualidade, devidamente recompensada por preços diferenciados. No Rio Grande do Sul, onde o inverno costuma ser bastante chuvoso, ocorre movimento semelhante, ainda que incipiente: os triticultores estão parcelando a ureia ao longo do ciclo da cultura – no caso, é de 140 dias, em média.

Historicamente, os gaúchos fazem apenas uma aplicação do insumo, na adubação de base. A prática de duas a três aplicações aumenta os custos com diesel e depreciação de maquinário, mas, segundo especialistas, oferece estabilidade e liquidez à cultura. Segundo o pesquisador João Leonardo Fernandes Pires, da Embrapa Trigo, o manejo correto precisa ser feito por cultivar e por região. “O manejo de nitrogênio deve ser técnico”, frisa. Além disso, Pires preconiza a racionalização desse insumo que, junto com os demais componentes da fórmula NPK, representa mais de 30% do custo do trigo. “Se o obtentor indicar que a variedade necessita de 60 quilos de N na base e cobertura, não adianta aplicar mais o que isso, porque a planta não vai produzir mais. Tem outra questão.

Algumas variedades em que se aplica ureia mais do que o recomendado acamam.” Recomendações de outros estados também devem ser evitadas. “Não se deve pegar um modelo generalista e sair utilizando”, conclui Pires.

Na avaliação do gerente comercial da Biotrigo Genética, Lorenzo Mattioni Viecili, empresa de pesquisa de desenvolvimento de cultivares localizada em Passo Fundo, o que paga a conta do agricultor é a produtividade. Por isso, a empresa advoga o uso de três aplicações de ureia. Além da de base, mais duas aplicações em cobertura: uma na fase de duplo anel, quando a planta mãe tiver da terceira até a quinta folha; a outra, na espigueta terminal, quando a planta mãe estiver na sétima folha – no início e final do perfilhamento. “O parcelamento é viável e essencial ara todas as cultivares, pois diminui o risco de perda de nitrogênio por excesso de chuva.” A quantidade de vezes, ressalta ele, depende do material.

“Vai melhorar a produtividade e qualidade industrial, mas tem que ter estratégia de comercialização. Se depender de silo de terceiro não adianta, pois não há segregação. É preciso destinar para alguém que está segregando por proteína, pois vai ter força maior na comercialização. Adotar um parceiro que valorize o manejo é melhor”, recomenda Viecili.

Fonte: Agro DBO 80