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29/09
Mudanças na ordenha de leite ajudam a economizar de água, diz Embrapa

Mudanças na ordenha de leite ajudam a economizar de água, diz Embrapa

Segundo estudo, o investimento do produtor é baixo e o retorno alto. Fazenda de Descalvado adotou modificações e reduziu consumo em 30%.

Uma pesquisa da Embrapa de São Carlos (SP) descobriu que manejos simples, mudança de hábitos e qualificação da mão de obra podem economizar até 30% de água em instalações de ordenha. O objetivo foi quantificar o consumo para melhorar a eficiência do uso da água no processo de ordenha, promovendo a gestão do recurso. O investimento do produtor é baixo.

A Fazenda Agrindus, localizada em Descalvado, possui 60 vacas e cada uma produz em média 15 litros de leite por dia. Para garantir a produção, os animais precisam beber bastante água. Lá, os bebedouros ficam espalhados pela propriedade e a água para matar a sede dos animais e para a limpeza do espaço saem de um posto artesiano.

Higienização
Para deixar a sala de ordenha limpa, são gastos por dia entre 1,2 mil a 1,3 mil litros de água. “Você tem que higienizar, afinal a gente está produzindo alimentos. Se você não higieniza, problemas surgirão mais na frente na cadeia”, disse o produtor Mario Dotta e Silva.

A fazenda também adotou a prática do reuso. A água utilizada na limpeza vai para uma fossa e depois é usada para irrigação e adubação do pasto. A sustentabilidade é regra na propriedade. “Essa água tem que ser reutilizada de alguma forma para gerar eficiência”, afirmou Silva.

Redução de 30%
Toda essa mudança pode ter um impacto positivo no uso da água, já que a economia nos locais onde são feitas as ordenhas pode chegar a 30%. A Embrapa monitorou os três hidrômetros por 18 meses.

O pesquisador constatou que na limpeza da sala de ordenha onde se gasta mais, em média 48% do total, 37% vão para o processo de ordenha e limpeza dos equipamentos e apenas 10% para o consumo dos animais. Medidas simples podem ajudar bastante na economia como fazer a raspagem do solo para só depois lavar.

“Muitas vezes para acontecer mudanças a gente precisa de dinheiro, precisa por a mão no bolso. Isso não é totalmente verdade quando se fala em meio ambiente. Se a gente fizer algumas mudanças culturais, ou seja, se eu uso água sem pressão e passo a usar com pressão, isso vai contribuir para a eficiência hídrica. Uma torneira pingando, naquele segundo aquele pingo não é nada, mas em 24h do dia, aquele pingo é uma grande quantidade”, explicou o pesquisador da Embrapa Júlio Palhares.

Cisterna
O produtor também pode investir em uma alternativa para garantir água de graça. Uma cisterna, por exemplo, que capta água da chuva do telhado da sala de ordenha e tudo fica armazenado em uma caixa d’água de 10 mil litros. O sistema custou R$ 7 mil.

“Por exemplo, no caso da cisterna que foi instalada em dezembro de 2015, até a data de hoje nós já conseguimos economizar em torno de 75% da água que nós utilizávamos para lavar o piso depois da ordenha”, acrescentou Palhares.

Para ele, é preciso cuidar bem dos recursos naturais, principalmente nos dias de atuais. “Ver que as nossas fontes de água, os nossos solos, o nosso ar que hoje se fala tanto, também precisam ser cuidados, também precisam ser inseridos no dia-dia da nossa produção”, concluiu Júlio Palhares.

Fonte: G1