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29/08
Manejo de fungicidas para culturas de Inverno

Manejo de fungicidas para culturas de Inverno

O controle dos principais patógenos e injurias nas culturas de inverno são responsáveis pela redução na expressão do potencial produtivo, sendo fungos, bactérias e vírus os principais responsáveis por estas perdas. A fim de alcançar altos tetos produtivos e rentabilidade no campo, o produtor rural deve ficar atento a alguns fatores que estão diretamente ligados a redução da produtividade.

Até o momento, na região de atuação da Cooperativa, as principais culturas de inverno como trigo e aveias estão, em sua maioria, em estádio vegetativo partindo para o reprodutivo. Como tivemos um período de deficit hídrico durante o estabelecimento das culturas, a maioria das lavouras teve um atraso no ciclo normal. Estes últimos dias têm sido favoráveis ao desenvolvimento das doenças comuns para este período de inverno, em razão das condições ambientais favoráveis tais como temperaturas amenas no período da noite e a formação de orvalho(molhamento foliar).

Com isso, doenças como oídio, manchas foliares e ferrugens, têm surgido simultaneamente nas lavouras, observando-se maior pressão de patógenos em áreas onde ocorre a sucessão de mesmas espécies, exemplo disto são áreas de milho/trigo ou trigo/trigo. Nestas situações ocorre uma maior pressão de doenças em virtude da baixa decomposição dos restos culturais das safras anteriores, que são hospedeiros dos meios de proliferação e disseminação dos patógenos.

Além disso, a entrada de doenças já ocorre também via semente, essa é a razão pela qual ocorre presença de manchas foliares, muitas vezes em áreas de rotação, o que torna muito importante a desinfestação das sementes com fungicidas no tratamento de semente.

Então se para manchas foliares a entrada ocorre via semente e restos culturais, para oídio e ferrugens normalmente acorre por plantas guaxas, muitas vezes remanescentes de culturas anteriores e ou plantas hospedeiras como azevém que transmite helmintosporiose, doença esta causada pelo fungo Exserohilum turcicum. Além das doenças citadas anteriormente ainda temos a ocorrência dos carvões, podridões radiculares, viroses e bacterioses.

Por muito tempo entendia-se que em trigo, bastava a manutenção da folha bandeira para obtenção de produtividades razoáveis. Dessa forma, iniciavam-se as aplicações visando o controle das doenças tardiamente. Entretanto, hoje sabe-se através de ensaios realizados pela pesquisa, que aplicações de fungicidas em estágios mais precoces, ou seja, já a partir do perfilhamento, garantem altos rendimentos aliados aos demais manejos.


Em trigo/aveia é desejável que se chegue a fase reprodutiva com 3-4 folhas por espiga, para que se tenha disponível o máximo de fotoassimilados sendo drenados para os grãos, obtendo-se o maior número de grãos/espiga com o máximo de peso.

Para alcançar tal objetivo devemos entender que os cuidados devem ocorrer desde as primeiras fases. A fase de emergência até o afilhamento ocorre entre 30-45 DAE. Nessa fase já podem ocorrer doenças como oídio, ferrugem e mancha foliar. Geralmente a presença de oídio diminui a partir do alongamento, mas manchas foliares e ferrugens continuam ocorrendo até o final do ciclo.


Quando ocorrem doenças já no início é importante se fazer o controle o quanto antes, a fim de diminuir os danos na cultura, e consequentemente o desempenho do fungicida, principalmente no que se refere ao residual do fungicida.


Outro item importante que precisamos observar refere-se ao fungicida certo para cada situação, pois muitas vezes se faz necessário a utilização de misturas de mais de um fungicida, e ou grupo químico, em razão da existência de diferenças de ação dos fungicidas sobre as doenças. De forma geral, recomenda-se o uso de misturas de estrubirulinas com triazois, a fim de maior espectro de controle, capaz de atender o controle eficientemente.

Além, das doenças foliares, temos também as doenças de espiga no trigo, principalmente giberela. Aplicações fúngicas têm eficiência limitada. Nessa situação, o bom mesmo é que as condições ambientais sejam favoráveis na fase da floração, o Importante é dar atenção ao atual momento, visando proteger as plantas e controlar as doenças, buscando a manutenção da área foliar verde.

Augusto Schweig – Engenhêiro Agrônomo Cotrisoja