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20/01
Jovem Cooperativista

Jovem Cooperativista

Viver no interior, sobrevivendo das atividades da produção primária, é herança rara nos dias atuais para os jovens. Hoje, há uma preocupação quanto à sucessão familiar na atividade agropecuária. A Cotrisoja incentiva os jovens a continuarem os trabalhos da família, permanecendo na propriedade, e para assumirem o gerenciamento das atividades que produzem o sustento familiar.

É bastante raro ainda, mas há muitos casos em que os filhos estão acompanhando os pais nas atividades de produção, tanto grãos quanto pecuária leiteira, porque desde pequenos despertaram o gosto pelo trabalho desenvolvido na propriedade, quando ele é considerado um fator de sobrevivência e renda e não como um peso.

O pai de Rafael Werlang foi um dos primeiros associados da Unidade da Cotrisoja de Selbach, na década de 1960. Rafael, 30 anos, relata que “desde pequeno ajudo os pais na propriedade. Eu também trabalhava no Recanto do Mel, empreendimento da família, porém, antes de iniciar o trabalho no Recanto, eu auxiliava meus pais nas atividades da propriedade. Depois de algum tempo de experiência, decidi abrir mão do trabalho na cidade e achei melhor ajudar meus pais em casa. Tínhamos sempre uma média de 15 vacas em lactação e, apesar de todos os irmãos ajudarem como podiam, o pai e a mãe estavam sozinhos na maioria do tempo. Então, adquirimos mais vacas de leite e decidi assumir a responsabilidade e o gerenciamento dessa atividade aqui na propriedade. Hoje, o meu pensamento é permanecer trabalhando e cuidando da propriedade que hoje tem 50 cabeças de gado, sendo 25 vacas em lactação, com produção média de 28 L/dia por animal. Um dos motivos que me fez ficar é porque eu gosto de lidar com gado. E com o tempo também fomos investindo e eu fui gostando cada vez mais. Financeiramente também compensa, porque a produção de leite é o que cobre boa parte das contas”.

O trabalho na pecuária leiteira não deve prender a pessoa todos os dias. “Na propriedade, há um revezamento para que também haja lazer, mesmo porque as atividades são diversificadas: vacas de leite, lavoura, plantação de legumes e verduras, produção de mel, nata”.

Enquanto Rafael optou por permanecer no interior, ele constata uma realidade diferente da sua: “a maioria dos amigos sai à procura de emprego que atende horário comercial na cidade, pois querem os finais de semana livre. Não querem ficar lidando na propriedade”.

Para Rafael, uma das causas que os jovens procuram a cidade é “a falta de incentivo para permanecer na atividade agropecuária, não havendo a oferta de cursos e programas. Querendo ou não, isso ajuda muito a permanência do jovem no interior. Sim, existem outros fatores, mas para mim este é um dos principais A cada ano fica mais difícil, na minha opinião, a questão da sucessão. Penso que só vão ficar as propriedades grandes ou que recebem algum tipo de apoio. E com as vacas de leite a gente sempre tem um serviço para fazer, ou é um investimento, um conserto, …”.

E ele fala com propriedade sobre uma das questões importantes para a sobrevivência econômica da atividade agropecuária dizendo que “uma forma de se manter motivado na atividade é acompanhar a tecnologia, tentando fazer com que o trabalho diminua e seja cada vez melhor, estar em busca de coisas novas, de um aperfeiçoamento. Isso sempre ajuda. E quando a gente aprende alguma coisa nova, volta para casa e quer aplicar esse conhecimento dentro da propriedade”.

A MINHA SUGESTÃO É QUE SE EXISTE A OPORTUNIDADE, QUE FIQUE NA PROPRIEDADE. Claro, no momento da escolha tem que saber que existem dificuldades, que vão existir altos e baixos e que, para dar certo, tem que levar a sério a atividade. Vejo por mim. Eu vim para casa para ajudar e superou minhas expetativas, tanto que o leite não era nossa atividade principal, era mais para ajudar pagar uma ou outra conta. Hoje o lucro dessa atividade paga essas contas e ainda sobra para investir”.