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29/07
Irrigação – Seria essa a solução pra diminuir os impactos de secas recorrentes?

Irrigação – Seria essa a solução pra diminuir os impactos de secas recorrentes?

A proposta de solução não é nova, mas segundo especialistas o fator cultural e pouco recurso remanejado pra esse investimento, considerando que as estiagens e secas são sazonais, adiam essa estratégia e implantação pra tentar diminuir as consequências da falta de água nas propriedades. Há ainda, limitação de hectares que comportam irrigação, conforme capacidade hídrica do estado que pode ser destinada para esse tipo de abastecimento.
Depois de uma nova seca, que é considerada a pior dos últimos 32 anos, recorrente historicamente e repetida mais recentemente nos anos de 2005 e 2012, novamente o assunto irrigação volta a ser visto como uma possibilidade para aplacar as perdas na produção agrícola do Rio Grande do Sul. Desde 2009 existe um programa chamado “Programa Estadual de Irrigação” que tinha como ideia a utilização de linhas de crédito para irrigar pequenas propriedades. O sistema contava basicamente com o acúmulo de água em açudes que por força de desnível ou bombeamento chegaria até o sistema de irrigação. O investimento girava em torno de 5 mil reais, a serem pagos no decorrer de uma década, com três anos de carência, segundo a EMATER. Mas a avaliação do órgão é que o projeto pouco avançou no estado. De acordo com um levantamento, das 430 mil propriedades, apenas 27 mil usam algum tipo de irrigação, o que corresponderia à 6% da área total do Rio Grande do Sul. A estimativa é que o Estado possua entre 6 milhões e 9 milhões de hectares em plantações de grãos (conforme sazonalidade) e só 170 mil são irrigados. E ainda, a maioria é lavoura de arroz: 1,1 milhão de hectares que se valem do método de irrigação por inundação. Mas a irrigação total das áreas também não é possível, porque segundo o órgão “o estado não tem relevo apropriado, nem capacidade hídrica suficiente para ter toda sua área agrícola irrigada. É possível aumentar a área em 200 mil hectares nos próximos anos, e se muito dinheiro for investido em infraestrutura, essa área pode chegar a um milhão de hectares, mas não mais que isso”. Há, ainda, entraves como licenciamento ambiental, disponibilidade de energia elétrica, e liberação de crédito, que precisam ser vencidos.
Mesmo que não seja na totalidade, certamente essa ampliação significaria redução de perdas e surtiria efeito positivo na produção e produtividade. Entre os sistemas disponíveis, o mais utilizado é o pivô central, que pode ser instalado em áreas a partir de 20 hectares. Para propriedades menores, é utilizada a aspersão convencional, ainda gotejamento para a fruticultura e carretel autopropelido. À medida que o tempo passa, mais pesquisas e equipamentos estão sendo desenvolvidos para que a implementação seja barateada, melhore em qualidade e resultado, e a tecnologia se torne mais acessível aos produtores.
Informações sobre programas de irrigação para propriedades de pequeno, médio e grande porte devem ser solicitadas junto a Emater de cada município. O órgão é executor dos programas mais recentes: Programa Irrigando a Agricultura Familiar, da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), e uma das executoras do Programa Estadual de Expansão da Agropecuária Irrigada “Mais Água Mais Renda”, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), do Governo do Estado. A iniciativa busca promover o desenvolvimento socioeconômico e sustentável para que a instalação aja como uma espécie de seguro agrícola. Com estabilidade e garantia de safra, pode facilitar o planejamento de investimentos a médio e longo prazo.

Fontes:
https://veja.abril.com.br/economia/seca-no-rs-e-problema-antigo-a-solucao-tambem-e-velha-conhecida/
http://www.emater.tche.br/site/area-tecnica/apoio-a-gestao-e-producao/irrigacao.php#.Xs7U0GhKjIU