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22/07
Estado não tem legislação para regular uso de terras agrícolas Entretanto, está em elaboração programa de gestão de recursos naturais

Estado não tem legislação para regular uso de terras agrícolas Entretanto, está em elaboração programa de gestão de recursos naturais

A conservação do solo passa por ações bem conhecidas do produtor. A aplicação das técnicas, no entanto, ainda não é regulada no Rio Grande do Sul. Ao contrário do Paraná e de São Paulo, e do vizinho de fronteira Uruguai, o Estado não tem legislação específica para evitar erosão e degradação das terras agrícolas.

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– No Uruguai, só é permitido plantar soja em no máximo um terço da área. Aqui, a escolha fica por conta do agricultor – compara Edemar Streck, assistente técnico estadual da Emater.

Há alguns anos, um projeto de lei chegou a ensaiar a saída do papel na Assembleia Legislativa, mas a resistência de representantes do setor produtivo acabou travando a proposta. Agora, entre as metas indicadas pelo governo estadual, está a elaboração de um programa da gestão da água e do solo. A projeção é apresentá-lo antes do fim do ano.

– Cada solo tem uma aptidão agrícola, considerando não apenas suas características, mas a região como um todo – destaca Antonio Roque Dechen, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável, o professor alerta que o solo não pode ser visto apenas como um bem de exploração, mas também de conservação para gerações futuras.

– Por isso, é importante que cada Estado tenha legislação própria para regular o uso da terra agrícola, considerando questões regionais – afirma Dechen.

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Citando o exemplo positivo do Paraná, que conseguiu recuperar áreas com erosão, o professor explica que a lei de uso do solo não deve apenas chamar a atenção de quem não cuidar da terra, mas beneficiar os produtores que fazem a lição de casa.

– Já avançamos bastante, o produtor está cada vez mais consciente com as questões ambientais – acrescenta Dechen.

Um dos exemplos é a rotação de culturas com o arroz irrigado, em áreas de várzea do sul do Estado. A introdução da soja nas terras baixas possibilitou a semeadura direta de arroz em sucessão, sem necessitar o revolvimento do solo, explica o agrônomo Darci Uhry Junior, do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga).

– A rotação com soja trouxe inúmeros benefícios econômicos e agronômicos para a lavoura de arroz – afirma.

PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO

Uso da terra conforme a aptidão agrícola

Cada solo tem características específicas. Os mais arenosos retêm menos água do que os argilosos. Ou seja, o arenoso precisa de mais palha para facilitar a infiltração da água.

Plantio em nível

Os cultivos devem ser feitos no sentido transversal ao declive, fazendo com que a linha de semeadura favoreça a retenção da água. A prática reduz em até 50% os riscos de erosão no solo. A semeadura morro acima ou morro abaixo é a principal causa de erosão hídrica que ocorre no plantio direto.

Diversificação de culturas

A rotação de culturas (palha e raiz) é fundamental para manter a quantidade adequada de material orgânico no solo. Cerca de 70% da área plantada com culturas anuais no Estado recebe soja e milho na safra de verão e aveia preta e azevém espontâneos (guachos) no inverno. Esse modelo vem degradando a composição física e a fertilidade do solo.

Terraços

Barreiras feitas na lavoura conduzem as águas que não se infiltram no solo, impedindo que enxurradas levem para rios nutrientes e agrotóxicos. A água retida no terraço se infiltra no solo, irriga a lavoura e demora de três a cinco meses para chegar aos rios. A adoção do sistema plantio direto em lavoura com terraços agrícolas evita as perdas de nutrientes por erosão e pode gerar economia superior a 40% em fertilizantes, por ano agrícola.

Adubação de pastagens

Áreas ocupadas por grãos no verão e pecuária no inverno precisam ser adubadas para compensar o baixo nível de palhada e do pastoreio dos animais.

Fonte: Zero Hora