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20/01
Ectoparasitas dos Bovinos de Leite

Ectoparasitas dos Bovinos de Leite

Os principais parasitas externos dos bovinos de leite são as moscas e os carrapatos que, juntos, causam imensos prejuízos na atividade leiteira, como na ação espoliativa do sangue que diminui a produção de leite e a fertilidade do rebanho. Os animais ficam irritados pela ação mecânica dos parasitas e não se alimentam o suficiente. A indústria do couro também tem prejuízos por causa das bicheiras e bernes que se instalam nas feridas que destroem áreas do tecido cutâneo, impossibilitando o processo de curtimento do couro. Sabemos que na propriedade onde não há controle das moscas pode ocorrer aumento de casos de mastite e tristeza parasitária.

Mosca do Berne (Dermatobia hominis)
A Mosca do Berne (Dermatobia hominis), na sua forma larval, produz uma miase subcutânea caracterizada pela formação de um nódulo parasitário cujo aspecto externo lembra um furúnculo, constituindo assim uma porta aberta, expondo os tecidos à infecção secundária por bactérias ou postura de ovos da mosca da bicheira (Cochiliomya hominivorax). Devido a isto há o aparecimento de prurido intenso e abscessos abertos por onde escorre um líquido seropurulento. Encontram-se geralmente nas margens das matas ou florestas de eucaliptos onde se refugiam do excesso do calor. Uma observação importante é que ela precisa de outra mosca como a do estábulo, para levar o ovo até o hospedeiro, no caso, o bovino.

Mosca Varejeira ou da Bicheira (Cochliomya hominivorax)
É uma mosca azul esverdeada que possui uma capacidade olfatória muito grande e não ataca tecidos intactos. Atraídos pelo sangue, as moscas adultas pousam no hospedeiro e depositam os seus ovos. A eclosão das larvas ocorre em torno de 18 horas, desenvolvendo-se de 03 a 06 dias no interior dos tecidos. Os adultos vivem de 60 a 70 dias sendo que, no verão, em condições climáticas ideais, o ciclo de vida é de 21 a 23 dias. Em temperaturas inferiores a 17°C a mosca desaparece. A mosca adulta alimenta-se de néctar das flores, suco das frutas e secreções de feridas.

Mosca-dos-chifres (Haematobia irritans)
Este ectoparasita foi identificado no Brasil em Roraima em 1977. Nos anos 90 apareceu em nossa região através do transporte de gado e permanece causando enorme prejuízo aos produtores de leite. A mosca-dos-chifres é hematófaga, tem a metade do tamanho da mosca doméstica ficando dia e noite sobre o animal principalmente sobre o dorso e com a cabeça para baixo. Deposita seus ovos nas fezes frescas e isso é interessante para o produtor porque a limpeza das instalações se torna uma ótima medida de profilaxia. As moscas picam várias vezes ao dia os animais na região do dorso e abdômen para se alimentarem. Essa picada causa muita dor e irritação e nas grandes infecções gera estresse diminuindo a produção de leite. O couro desses animais perde a qualidade também.

A Mosca dos Estábulos (Stomoxis calcitrans)
É hematófaga e se localiza preferencialmente nas pernas dos animais e no ventre, tem infestado também os bovinos de leite. São mais ativas pela manha e à tardinha. Durante o dia são vistas nas paredes e cercas e são maiores que as moscas-dos-chifres.

Carrapatos (Boophilus microplus)
São parasitas que se alimentam de sangue. Existem vários gêneros, entretanto o de maior interesse econômico é o Boophilus microplus, esse que todos nós conhecemos e seu hospedeiro principal é o bovino. O ciclo evolutivo apresenta uma característica bastante particular:
– uma fase de vida parasitaria sobre o bovino, – uma fase de vida livre no pasto.

A fase parasitária desenvolve-se sobre o bovino. Começa com a fixação da larva infestante presente nos pastos ao corpo do animal e se prolonga até fêmea adulta já bem alimentada e apta a desprender-se e cair no solo para desovar.
A fase de vida livre compreende a fêmea realizando a postura de aproximadamente 3000 ovos até o momento que as larvas provenientes desses ovos estiverem aptas a se fixarem no bovino. Esse processo é diretamente influenciado pelas condições do clima, temperatura e umidade em torno de 27°C e 70% respectivamente. Nessa fase, se o clima não é favorável, o carrapato interrompe seu desenvolvimento mantendo-se vivo e aguardando melhores condições climáticas. O carrapato é o grande vetor da tristeza parasitária, doença que traz enormes prejuízos ao produtor.

Nesta síntese da ocorrência de moscas e carrapatos dá para perceber que não existem meios de eliminá-los totalmente, pois as infestações se modificam conforme a região e a época do ano. Ao longo dos anos, instituições de pesquisa e laboratórios veterinários desenvolveram formulações para combater esses ectoparasitas. Não vamos aqui citar possíveis tratamentos, mas o Departamento Veterinário da Cotrisoja está à disposição dos produtores para esclarecimentos.

Fonte: adaptação do manual da produção leiteira-CCGL
Ruben Martinez
Médico Veterinário