Notícias Cotrisoja

Fique por dentro do que acontece no mercado agrícola regional, nacional e internacional

23/06
Diarreia Neonatal em bezerras leiteiras

Diarreia Neonatal em bezerras leiteiras

A diarreia é uma doença que pode ser evitada ao se adotar boas práticas de manejo. Apesar dos casos fatais de diarreia ocorrerem nas primeiras 2 semanas de vida, com o crescimento dos bezerros diminui-se a susceptibilidade à doença, porém, esta ainda persiste até três a quatro meses de idade.

TIPOS DE DIARREIA

As diarreias podem ser classificadas como:

Nutricionais: por excesso de fornecimento de leite, sucedâneos de leite ou por mudança brusca na composição de leite.
Infecciosas: que podem variar da seguinte forma:

-Bactérias: Escherichia Coli (principal organismo envolvido), Salmonela, Clostridium Perfringes.
-Vírus: Rotavirus, Coronavirus, Adenovirus.
-Parasitas: Cryspoporidium e Coccidio.

SINAIS CLÍNICOS

Os sinais clínicos mais evidentes são as fezes do bezerro, onde a mesma além de líquida, apresentam odor fétido, coloração amarelada ou esbranquiçada, ou contém muco ou sangue. Com a progressão da doença outros sinais vão se tornando evidentes:
– apresenta perda de interesse por alimento;
– produz fezes líquidas;
– apresenta sinais de desidratação (olhos fundos, pelos eriçados);
– extremidades frias (hipotermia);
– levanta-se lentamente e com dificuldades;
– é incapaz de se levantar (prostração).

DIAGNÓSTICO PRECOCE
 
Dar atenção para fatores de risco ajuda na detecção precoce da diarreia. A chance de desenvolvimento de doença clínica e morte diminuem muito quando o diagnóstico vem acompanhado por medidas adequadas para minimizar o impacto da diarreia.
 
Normalmente, animais jovens e, em particular, bezerros novos apresentam bom apetite. O primeiro sinal de que o bezerro está adoecendo pode ser percebido no momento do fornecimento do alimento. Um bezerro que não está com fome, possivelmente tem algo de errado acontecendo com ele.
Observação criteriosa de certos sinais permite que o produtor perceba o aparecimento da diarreia um dia antes que ela realmente ocorra. Os seguintes sinais indicam um possível aparecimento de diarreia:
– focinho seco;
– muco grosso excretado pelas narinas;
– fezes muito secas;
– falta de apetite (recusa beber leite);
– prostração e temperatura retal alta (>39.3°C).
 

PREVENÇÃO

Assim como na maioria das doenças de bezerros, imunidade passiva adequada e remoção de fatores predisponentes são as duas medidas principais para se evitar a diarreia.
Sendo assim, quero relatar as práticas de manejo adequadas que eliminam os fatores de risco e ajudam a reduzir a incidência de diarreias:

– fornecimento da quantidade adequada de colostro de alta qualidade
– colostro e leite devem ser fornecidos à temperatura corporal ( 36-38º
– alimentação deve ocorrer 2 vezes ao dia em horários regulares e com utensílios limpos, sanitizados e secos após cada uso;
– sucedâneos de leite devem apresentar alta qualidade nutricional( 15-20% gordura);
– subalimentação e mudanças bruscas na composição do leite(tipo de leite) devem ser evitados;
– bezerros devem ser mantidos em casinhas individuais, protegidos contra correntes de ar. Agrupamento após desmama;
– bezerreiros devem ser desinfetados regularmente e devem permanecer vazios por 3 semanas;
– bezerros saudáveis não devem ser introduzidos em alojamentos onde outros bezerros estão com diarreia;
– bezerros abaixo de 3 semanas de vida não devem ser trazidos de outras propriedades.

TRATAMENTO DA DIARREIA

Solução oral de reidratação:
Lembrando que reidratação é a medida chave para salvar a vida de um bezerro com diarreia. Assim, logo que a diarreia foi detectada, o bezerro deve ser alojado em um ambiente seco, não exposto ao frio, para então receber soroterapia de reidratação oral, sendo essas soluções salinas feitas em casa ou adquiridas nos pontos de vendas. Estes produtos contém uma mistura de eletrólitos, glicose e outros sais que são essenciais para reidratação do bezerro.
Antibióticos e reidratação intravenosa:
Para o tratamento com antibióticos temos uma vasta possibilidade (enrofloxacina, sulfa + trimetropin, gentamicina, amoxicilina, coclaxilina), mas em cada propriedade deve-se observar qual produto funciona melhor.
Se a diarreia persistir e os sinais de desidratação piorarem, deve-se optar por fazer a administração de eletrólitos e antibióticos via intravenosa.

PÁG 12 E 13 Maikel

Maikel Schreiner
Médico Veterinário Cotrisoja