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23/03
Desvalorização da moeda americana trava mercado brasileiro de soja

Desvalorização da moeda americana trava mercado brasileiro de soja

Resultado do agravamento da crise política, a recente desvalorização da moeda norte-americana está travando o mercado de soja no país. Na última sexta-feira (18), o dólar fechou o dia valendo R$ 3,58, a menor cotação desde agosto de 2015. No ano, o recuo foi de 9,2% e no mês, 10,5%.

O primeiro impacto da desvalorização foi na cotação da oleaginosa no mercado interno. Em Paranaguá (PR), a saca de 60 kg, que em janeiro era vendida por R$ 83, hoje custa R$ 75, uma queda de 10%. “Quem não vendeu, dificilmente vai vender agora. Só em caso de necessidade”, afirma o economista e analista de mercado da Granoeste, Camilo Motter.

A quantidade de soja vendida antecipadamente é outro fator que paralisa o mercado. Os produtores brasileiros já venderam 56% da safra atual, superando os 43% da temporada 2014/15. No Paraná, 50% da safra foi comercializada antes, muito acima dos 27% do ano passado. “Os produtores aproveitaram os picos de preços em 2015, por causa do câmbio. Quem fez boas vendas pode segurar a soja”, diz o economista e consultor Flávio França Júnior.

Projeções
Segundo França, alguns produtores podem ter perdido o melhor momento para vender, mas muita coisa ainda pode acontecer. “Quem ainda não vendeu, faça isso já. Os preços são remuneradores”, aconselha. “O produtor perdeu bons momentos, mas não é possível afirmar que não teremos outros, seja através do câmbio ou dos preços internacionais”, complementa Motter.

Em relação à moeda americana, o cenário ainda é incerto e depende dos direcionamentos políticos no Brasil. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Claudio Felisoni de Angelo, com um eventual processo de impeachment da presidente Dilma, o dólar pode recuar ao patamar de R$ 3,50. “A valorização do real se deve ao quadro político nacional . Com a indicação de uma possível solução para a crise, o mercado precifica a situação”, explica.

Fonte: Gazeta do Povo