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08/08
Custo do transporte inibe exportações na Região Sul do Brasil

Custo do transporte inibe exportações na Região Sul do Brasil

Não importa o tamanho da empresa ou em que região do Brasil esteja, o custo do transporte é apontado por todas como o maior entrave para exportar. A informação foi revelada por uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta segunda-feira. Além da elevada despesa com transporte, aparecem no topo das reclamações as altas tarifas cobradas em portos e aeroportos e a baixa eficiência governamental na superação das barreiras às exportações.

A pesquisa por região mostra que o Sul tem exatamente essas reclamações como as três principais. Outras regiões trazem especificidades, como é o caso do Nordeste, onde a taxa de juros é o segundo ponto mais crítico. Na divisão por categoria de dificuldade, os entraves macroeconômicos – taxas de juros e câmbio – são os maiores, seguidos por institucionais e legais e, finalmente, pela burocracia alfandegária e aduaneira. Os resultados não surpreendem. Desenham um velho conhecido, o custo Brasil.

– De fato, o estudo traz detalhada uma realidade com a qual o empresário brasileiro convive há décadas, apesar do alto investimento do governo federal em exportação – diz a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Maria Teresa Bustamante.

Problemas variam conforme porte

Na análise por porte feita pela pesquisa da CNI, empresas de todos os tamanhos apontam o custo do transporte como maior entrave, seguido pelas tarifas alfandegárias. No restante da lista, contudo, o cenário muda um pouco. Nas pequenas e médias, por exemplo, pesa mais a baixa eficiência governamental. Já nas grandes, o excesso e a complexidade dos documentos exigidos são um dos pontos mais críticos.

Há também questões que aparecem em umas e não em outras. Nas grandes indústrias, as greves de profissionais envolvidos nas atividades exportadoras são um grande problema. Nas médias, a taxa de câmbio é uma preocupação que não figura entre as 10 primeiras para grandes e pequenas.

Ampliação passa por mais especialização e agilidade

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, exportar mais depende também do próprio empresário – falta educação empresarial e especialização. Não pode, diz ela, jogar tudo nas mãos de um despachante. A opinião vai ao encontro de um dos resultados do estudo: para micro e pequenas empresas, entender regras e leis é um dos pontos mais críticos.

Do lado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), um dos focos de trabalho é reduzir de 13 para oito dias o prazo para exportação e de 17 para 10 dias o de importação. Para isso, a pasta aposta no Portal Único de Comércio Exterior, projeto que começou em 2014 como resposta ao compromisso assumido na Organização Mundial de Comércio (OMC) no acordo de facilitação do comércio.

De acordo com o MDIC, a primeira etapa do novo fluxo de exportações será implantada ainda neste ano e, em 2017, será a vez das importações. O tempo de despacho e liberação é o nono entrave apontado pelos empresários.

Raio-X da Região Sul

O levantamento foi realizado com 847 empresas que exportaram em 2015. Cada uma delas deu uma nota de 1 a 5 para 62 entraves ao comércio exterior. Na escala, 1 indica que o entrave é pouco crítico, e 5 que é muito crítico.

– Custo do transporte: 3,60
– Tarifas de portos e aeroportos: 3,41
– Baixa eficiência e apoio governamental: 3,28
– Oferta de preços competitivos: 3,24
– Leis conflituosas e complexas: 3,14
– Excesso e frequentes alterações em leis: 3,13
– Tempo de fiscalização, despacho e liberação: 3,06
– Excesso e complexidade dos documentos: 3,03
– Tarifas cobradas por órgãos anuentes: 2,98
– Taxa de câmbio: 2,96

Fonte: Diário Catarinense