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10/10
Comercialização do trigo preocupa produtores no início da colheita

Comercialização do trigo preocupa produtores no início da colheita

Safra gaúcha 2016 apresenta bom potencial depois de enfrentar dois anos de frustração devido ao clima

A colheita da safra 2016 do trigo gaúcho inicia nesta segunda-feira, 10 de outubro, com uma grande apreensão entre os produtores. O motivo é o excesso do cereal no mercado mundial, proveniente principalmente de países tradicionais em exportação de trigo como a Argentina, que deve colher 14 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul deve colher cerca de 2,2 milhões de toneladas, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Depois de enfrentar frustração de safra em 2014 e 2015, o Estado deve registrar neste ano uma produção normal, sem grandes volumes, já que a falta de chuva durante o inverno em algumas regiões pode ter reduzido a produtividade, mas não comprometeu a qualidade do trigo.

Segundo o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, existe um bom potencial para o trigo e a expectativa é de um excedente entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas. “É um volume bem considerável para ser exportado a outros Estados, principalmente do Norte e Nordeste, ou mesmo outros países. Vale ressaltar que o Rio Grande do Sul tem uma característica única em termos de Brasil ao ser autossuficiente em trigo, enquanto o país consome o dobro do que produz e precisa importar”, explica.

Pires destaca que apesar do trigo ser uma cultura tão importante, com boa produtividade e tendo como ponto forte a qualidade, segundo atestam as áreas técnicas das cooperativas, já existe mesmo antes de começar a safra, uma dificuldade de vender o produto. Conforme o dirigente, o que preocupa é a fluidez do mercado e hoje uma cooperativa não pode se dar ao luxo de comprar por um preço e depois o valor cair. “Por isso acredito que as cooperativas terão cautela e irão comercializar dentro do quadro que podem. Muitas estão com um preço que não reflete, por exemplo, a normalidade de uma comercialização e a tendência é de baixa”, explica.

A Câmara Setorial Nacional do Trigo está tratando de mecanismos de comercialização com a participação da FecoAgro/RS e das Organizações das Cooperativas gaúchas e do Paraná (Ocepar). Entre as demandas encaminhadas estão principalmente o Prêmio de Equalização Pago ao Produtor (Pepro) que é um programa para subsidiar a diferença entre o preço mínimo e o preço que está sendo praticado no mercado do trigo pão tipo 1 que está sendo colhido no Estado e o excedente poderia ser mandado para os Moinhos do Nordeste, e a questão de Aquisições do Governo Federal (AGF) que é para uma composição do estoque regulador da Conab. “Pode surgir algo no caminho, mas hoje para garantir o preço mínimo, já que a tendência é de uma comercialização abaixo do seu valor, nós propomos ao governo programas de comercialização específicos para as culturas de inverno, para o trigo”, afirma Pires.

Atualmente, o valor de mercado da saca de 60 quilos do cereal está abaixo do preço mínimo definido pelo governo federal, estipulado em R$ 38,65. Conforme o presidente da FecoAgro/RS, a alternativa de uso do trigo para ração, em substituição ao milho, esfriou um pouco. “O que nos resta é brigar por um mercado competitivo, com excedentes, principalmente da Argentina. Esse é o grande desafio para o produtor”, salienta.

Foto: FecoAgro-RS/Divulgação
Texto: Rejane Costa/AgroEffective