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09/12
Chuvas derrubam safra de trigo em todo o Sul e anunciam alta no preço do pão

Chuvas derrubam safra de trigo em todo o Sul e anunciam alta no preço do pão

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil vê frustrada a possibilidade de colher mais de 7 milhões de toneladas de trigo. Novamente, a questão está ligada aos prejuízos registrados com o cereal do pão nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que concentram mais de 90% da safra nacional. No total, de acordo com os órgãos estaduais de agricultura, a quebra ultrapassa 1 milhão de toneladas, reflexo do excesso de chuva nos últimos meses na região Sul do país.

Com isso, a dependência nacional em relação ao trigo importado aumenta. Ou seja, no próximo ano, perto da metade do consumo interno de trigo, estimado em 11 milhões de toneladas, terá que ser comprada de outros países, principalmente da Argentina, Paraguai e Estados Unidos. O reflexo deve ser o aumento no preço dos produtos derivados do cereal, como o pãozinho, massas e biscoitos.

No Paraná, os produtores colheram 3,4 milhões de toneladas, volume 10% abaixo da previsão inicial, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “O excesso de chuva impossibilitou tirar o trigo na época certa. Isso atrasou inclusive o plantio da soja. Choveu dia sim, dia também”, relata o produtor Andreas Keller Junior, de Guarapuava, Centro-Oeste do Paraná.

No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda pior. Os triticultores gaúchos contabilizaram produção total de 1,5 milhão de toneladas, 34% em relação à estimativa do início da safra (2,2 milhões de toneladas), segundo dados da Emater local. No ano passado, o estado registrou perda de 1 milhão de toneladas, também por causa de chuva.

O agricultor Alberto Maurer, do município de Não-Me-Toque, colheu volume equivalente a metade do potencial das lavouras. Mas as 2,7 mil sacas (30 por hectare) não foram rebaixadas a triguilho. Assim, ele conseguiu perto de R$ 30 por saca, cobrindo os custos. Sua sensação, no entanto, é de que trabalhou em vão. “No ano que vem, vamos ter redução geral na área do trigo”, aposta.

Qualidade

Além da queda na produção, a situação é ainda pior em função da baixa qualidade do trigo colhido. As chuvas que castigaram os estados do Sul, principalmente nos meses de outubro e novembro, coincidiram com o período que as plantas ficam sensíveis às precipitações, o que interfere diretamente na qualidade.

No Rio Grande do Sul, parte significativa das lavouras foi infectada no ciclo de maturação por fungos produtores de toxinas, provocando perda de qualidade do grão, inclusive com restrição para consumo humano e animal. “Mais do que uma redução significativa na oferta do produto, é a péssima qualidade do pouco que foi colhido que impede que o produtor possa mitigar seu prejuízo com a cultura”, aponta o relatório da Emater gaúcha.

Fonte: Gazeta do Povo (AgroGP)