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18/05
As perdas na colheita da soja influenciadas pelas colhedoras

As perdas na colheita da soja influenciadas pelas colhedoras

Dados de 2014 da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), mostram que a cultura da soja é responsável pela ocupação de uma área de 30,14 milhões de hectares, com uma produção estimada em 85,66 milhões de toneladas no Brasil, o que representa 30% do PIB da agricultura brasileira. O potencial de produtividade da soja é determinado geneticamente. O quanto deste potencial será atingido vai depender de fatores que estarão atuando em algum momento durante o ciclo da cultura.

A colheita é uma das principais etapas no ciclo produtivo, principalmente por poder influenciar na diminuição da produtividade do talhão, caso as regulagens da colhedora não estejam adequadas. Durante a colheita, é normal que ocorram algumas perdas. Porém, é necessário que estas sejam sempre reduzidas a um mínimo para que o lucro seja maior. A percentagem de perdas pode ser relacionada à má regulagem da máquina, principalmente no mecanismo de corte e alimentação, porém o efeito desses fatores pode ser minimizado pela adoção de práticas de manejo que fazem com que as plantas de soja tenham o melhor aproveitamento possível . O Gerente da Unidade Regional da Cotrisoja em Tapera e Coordenador do Depagro, Gerson Kuffel, explica que neste ano a baixa umidade pode ter favorecido a quebra dos grãos da oleaginosa. “Hoje na nossa colheitadeira temos perdas significativas se não observarmos alguns detalhes, perdas estas que ocorreram na plataforma de corte, nos mecanismos de trilha, separação e limpeza dos grãos. Neste ano agrícola ocorreu uma baixa umidade dos grãos, quando colhidos os mesmo se encontrava entre 9 e 11% de umidade, o que é considerado baixo. Estas vagens e grãos quebravam já na plataforma de corte da colhedora, na serra de corte e molinete.”

Uma colhedora é uma máquina agrícola constituída de órgãos auxiliares e órgãos fundamentais. Os órgãos auxiliares constam basicamente de um motor de combustão interna, sistema de transmissão para deslocamento, tanque de combustível e uma cabine com posto de operador, com os comandos da máquina. Os órgãos fundamentais compõem a unidade de colheita, dividida em sistema de corte e alimentação, trilha, separação e limpeza. Os fatores mais frequentemente associados às perdas de soja, devidos à colhedora, são a inadequação da velocidade de deslocamento pela lavoura, velocidade e posição do molinete, rotação do cilindro trilhador, abertura entre cilindro-côncavo, condições de funcionamento da barra de corte, regulagem dos mecanismos transportadores, manutenção e regulagem dos sistemas de transmissão de potência, fluxo de ar do ventilador e regulagem inadequada do saca-palhas e peneiras.

A velocidade de trabalho recomendada para uma colhedora de soja é determinada em função da produtividade da cultura e da capacidade admissível de manusear toda a massa que é colhida junto com o grão. Ao tomar a decisão de aumentar ou diminuir a velocidade, não se deve preocupar somente com a capacidade de trabalho da colhedora, mas verificar se os níveis toleráveis de perdas estão sendo respeitados. A maioria das perdas relacionadas à má regulagem da máquina ocorre no mecanismo de corte e alimentação (80% a 85%). Deve ser dada atenção especial ao posicionamento do molinete em relação à barra de corte e à velocidade do molinete. Se esta for excessiva, ocorrerão muitos impactos sobre as plantas, resultando em quebra dos ponteiros com a consequente queda de vagens e grãos no chão. Em termos práticos, a velocidade do molinete deve ser um pouco superior à de deslocamento da colhedora pela lavoura; isso é percebido quando, ao se observar de lado a colhedora em operação, tem-se a impressão que o molinete puxa a colhedora e “patina” suavemente sobre as plantas de soja. Em termos percentuais, a rotação do molinete deve ser correspondente a 15% a 20% acima da velocidade da colhedora. O estado de conservação da barra de corte e de seus componentes ativos (navalhas e contranavalhas) também não deve ser negligenciado. Facas cegas e dedos das contranavalhas frouxos diminuem a ação de corte e aumentam a vibração das plantas, promovendo abertura de vagens e quedas de grãos fora da plataforma. Com relação às perdas durante a trilha, estas podem ocorrer no cilindro batedor ou nas peneiras que separam os grãos da palha. Essas perdas são mínimas quando comparadas com aquelas da plataforma de corte, entretanto podem trazer prejuízos consideráveis à produção de sementes. Kuffel reforça a importância da manutenção periódica do maquinário. ”Não podemos deixar de destacar além da umidade do grão colhido, há falta de manutenção da serra, navalhas quebradas, folga da barra de corte, efetuar a substituição e os ajustes necessários, já no molinete com aceleração muito alta. O molinete a dica é que trabalhe com 25 % superior de aceleração á velocidade da máquina, estas situações quando ocorridas aumentam consideravelmente o atrito das plantas e dos grãos com plataforma ocasionando grandes perdas. ”

A semente de soja é muito sensível aos impactos mecânicos, uma vez que as partes vitais do embrião estão situadas sob o tegumento pouco espesso, que pouco oferece em proteção. A fragilidade do tegumento da semente de soja torna-a suscetível a dano mecânico de qualquer fonte. As perdas qualitativas e os danos mecânicos compreendem as sementes quebradas, trincadas, rachadas, com consequente redução na sua germinação e vigor. Os danos mecânicos se manifestam não apenas na aparência física das sementes afetadas, como também pelas consequências provocadas pelos danos internos sobre a qualidade fisiológica das mesmas. Como as vagens da soja se abrem com relativa facilidade, as perdas verificadas no cilindro batedor são, em geral, pequenas. Em condições de elevada umidade dos grãos, em torno de 20%, as perdas no sistema de trilha podem ser altas uma vez que os grãos, não sendo separados das vagens, retornam ao campo.

Para finalizar, o Gerente da Unidade de Tapera, comenta que neste ano, as perdas relacionadas à má regulagem das máquinas chegaram a 4% da produção. “Isso representa numa produtividade média de 60 sacos por hectare 2,4 sacos de soja a menos de rentabilidade na propriedade rural. Na área de abrangência de soja da Cooperativa, seria em torno de 120.000 sacas de soja que só por esse fator da plataforma deixamos de colher. Devemos sempre ficar atentos ao detalhes, realizar a revisão da colhedora sempre antes de efetuar as colheitas, a troca de peças que estejam com vida útil condenada e efetuar a melhor regulagem do equipamento conforme a cultura, a umidade do grão e claro sempre sem pressa, a colhedora precisa de um tempo para processar o corte, trilha, separação e limpeza. ”

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