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Antônio Chalfun Júnior e Nilton Chalfun

Com a chegada do frio, o agricultor precavido sabe que está chegando
a hora certa. Todo ano é a mesma coisa. Nesta época afia-se
a tesoura, amola-se as ferramentas, engraxa-se a mola da tesoura e afia-se
o serrote.
Mas porque fazer a poda? Por que deixar este ou aquele ramo? Devo
ou não
devo cortar? Essas são perguntas que mais ouvimos desde um simples possuidor
de uma fruteira de fundo de quintal até um grande fruticultor. Mas quais
as finalidades desta habilitosa arte milenar, a poda, que dela depende em grande
parte a explosão da vida na primavera que virá a seguir, a fartura
e a qualidade da colheita de qualquer pomar.
Muito embora seja praticada para
dirigir a planta segundo a vontade do homem, como no campo da estética
em algumas árvores, arbustos e jardins
ornamentais, em fruticultura, ela é utilizada para regularizar a produção
e melhorar a qualidade dos frutos.
A poda é uma das práticas
culturais mais antigas realizadas em fruticultura que, juntamente com outras
atividades não amenos importantes,
torna o pomar muito mais produtivo. Alguns autores chegam a citar a poda
como uma espécie de bisavó da enxertia e da hibridização,
citando que foi um jumento que, devorando os sarmentos de uma videira,
deu aos nauplianos a idéia de podá-la. Verdade ou não,
o fato é que
ela se tornou imprescindível no manejo de pomares frutíferos.
A
poda é um conjunto de cortes executados numa árvore, com
o objetivo de regularizar a produção, aumentar e melhorar
os frutos, mantendo o completo equilíbrio entre a frutificação
e a vegetação
normal; é a arte e a técnica de orientar e educar asa plantas,
de modo compatível com o fim que se tem em vista; é a técnica
e a arte de modificar o crescimento natural das plantas frutíferas,
com o objetivo de estabelecer equilíbrio entre a vegetação
e a frutificação; é a remoção metódica
das partes de uma planta, com objetivo de melhorá-la em algum
aspecto de interesse do fruticultor.
A importância da pode varia
de espécie para espécie, assim
poderá ser decisiva para uma, enquanto que para outra, ela é praticamente
indispensável. Ela é decisiva: videira, pessegueiro e
figueira; relativa: pereira, macieira e caquizeiro; pouca importância:
citros, abacateiro, mangueira. Na natureza as plantas crescem sem qualquer
modelamento, buscam sempre a tendência natural de crescerem em
direção à luz,
tomando a forma vertical, e com isso perdem a regularidade da produção.
Toda
importância da arte de usar a tesoura, não está em
simplesmente cortar esse ou aquele ramo, dessa ou com aquela espécie.
Cada fruteira tem seu hábito específico der frutificação,
tendo consequentemente, exigência muito diversa quanto à poda.
E quanto a isso, devemos então entender o básico de
como funciona a planta frutífera, para adaptarmos a cada espécie
que pretendemos podar. O podador é uma espécie de cirurgião,
e como tal, não
opera em entender como funciona o organismo que ele está lidando.
A
poda baseia-se em princípios de fisiologia vegetal, princípios
fundamentais que regem a vida das fruteiras. Um desses princípios é a
relação inversa que existe entre o vigor e produtividade,
ou seja, o excesso de vegetação reduz a quantidade
de frutos e o excesso de frutos é prejudicial a qualidade
da colheita. Assim, conseguimos entender que a poda, visa justamente
estabelecer um equilíbrio entre esses extremos.
Mas deve ser efetuado com extremo cuidado. Se efetuado no momento
impróprio,
ou de forma incorreta, a apoda pode gerar uma explosão vegetativa
enorme, causando um problema ainda maior para o agricultor.
Época
da poda:
Basicamente em duas épocas: no inverno, é chamada
de poda em seco e recomendada para frutíferas que perdem
as folhas, como pessegueiro, macieira, ameixeira, figueira.
Mas o inverno é uma referência muito
teórica e pode induzir alguns erros. Existe um momento ótimo
de iniciá-la. É quando os primeiros botões
florais surgiram nas pontas dos ramos, indicando que a seiva
começou a circular de novo
na planta. Se a poda for feita antes, estimulará a brotação
na hora errada. Se efetuada depois, forçará a
brotação
vegetativa, exigindo mais tarde uma nova poda.
A pode verde
ou de verão, por outro lado, é realizada quando
a planta está vegetando e destina-se arejar a copa,
melhorar a insolação
e a coloração dos frutos e diminuir a intensidade
de cortes na poda de inverno. É também executada
em plantas perenifólias
( com folhas permanentes) como asa cítricas, abacateiro,
mangueira.
Por ocasião da poda seca ou de inverno,
deve-se considerar a localização
do pomar, as condições climáticas e
o perigo de geadas tardias antes da operação.
A poda deve ser iniciada pelas cultivares precoces, passando
as de brotação normal e finalizando pelas tardias.
Em regiões sujeitas a geadas tardias, deve-se atrasar
o início da
poda o máximo possível, até mesmo quando
as plantas já apresentaram
uma considerável brotação, normalmente
as de ponteiros.
A poda é executada na planta desde
o seu plantio, ainda no viveiro,, formando sua copa, até o
momento do corte total, ou de rejuvenecimento. Em cada etapa
de desenvolvimento a planta frutífera sofre um tipo
adequado ao estágio de desenvolvimento que se encontra,
e a época do ano.
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