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24/10
Área cultivada deve se manter no estado

Área cultivada deve se manter no estado

Conforme o primeiro levantamento de grãos da Conab, o país deve colher entre 101,9 e 104 milhões de toneladas no atual ciclo. No Rio Grande do Sul, a tendência é de manutenção da área cultivada e produção de até 15,6 milhões de toneladas — na safra passada, foram 16,2 milhões de toneladas. Segundo a Conab, os produtores gaúchos farão maior uso das lavouras de arroz em rotação com a soja, devido às condições climáticas favoráveis de baixas precipitações previstas para este ciclo.

Na comparação com outros grãos, o crescimento da produtividade da soja deixa a desejar. Nos últimos 40 anos, esse aumento foi de 252% no arroz e 157% no milho. Na soja, apenas 64%. Para o chefe da Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa, Elísio Contini, a cultura “evolui mais devagar por que já começou moderna”. Ele lembra que a média nacional está se aproximando dos Estados Unidos, principal produtor mundial. Na safra passada, os americanos colheram 3.264 quilos por hectare ou 54,4 sacas, cinco a mais que os brasileiros.

— Nos últimos anos, tivemos um avanço espetacular. Dá para melhorar? Claro que sim, e a gente está melhorando — informa Contini.

Venda futura recua 50% no Estado

Da euforia à cautela. Assim pode ser descrito o ânimo dos agricultores em relação aos contratos futuros da safra de soja. Até agora, o Rio Grande do Sul comercializou 13% do que deve ser colhido no ciclo 2016/2017 — metade dos 26% negociados na mesma época do ano passado. A Safras & Mercados informa que a venda futura da safra brasileira chega a 22%, ante a 38% no ano passado.

O dólar em queda e a supersafra dos Estados Unidos, que deve colher 116 milhões de toneladas, estão freando os negócios, avalia o consultor Luiz Fernando Gutierrez Roque, da Safras & Mercados. No Estado, a saca (60 quilos) está sendo comercializada a R$ 77,5, contra R$ 83 em 2015.

— A expectativa é que os preços melhorem. Chicago, apesar da supersafra americana, está precificado, e as atenções se voltam para as safras brasileira e argentina. Há muitas incógnitas, principalmente devido ao clima — avalia.

No entanto, os custos de produção continuam tirando o sono do produtor. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS), Décio Teixeira, as despesas com insumos estão até 20% mais caras. No Estado, o custo corresponde a 36 sacas, conforme Teixeira. Ele espera que os preços ao menos se mantenham e aposta em uma grande demanda por parte da China, maior consumidor mundial da oleaginosa.

Fonte: Zero Hora