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06/06
Agricultores investem menos na cultura de trigo no RS e no PR

Agricultores investem menos na cultura de trigo no RS e no PR

Nos estados que mais produzem trigo no Brasil, o plantio está em estágios diferentes. Mas os produtores do Rio Grande do Sul e do Paraná têm uma certeza: a área cultivada vai ser menor este ano.

Em todo o estado do Paraná, 64% da área já foi semeada. Todos os anos, Valter Dal Galo produz trigo em 200 hectares da lavoura, em Cascavel, na região oeste. Os dias gelados têm animado o agricultor: “O frio está vindo cedo e é o que o trigo quer. Mas não quer frio de cair geada, porque se cair geada, ele morre”.

No Paraná, a saca de trigo está custando, em média, R$ 42, 20% a mais do que era pago na mesma época do ano passado. Apesar da alta, os agricultores estão investindo menos na cultura. A área plantada deve cair em 15% este ano.

Na propriedade do agricultor Zeca Zardo, a redução vai ser ainda maior que a média do estado. No ano passado, semeou 240 hectares e este ano 121. O desânimo com a cultura já começa na compra dos insumos. “Nós compramos o adubo no ano passado a R$ 600 reais a tonelada, esse ano custou R$ 2 mil. Então, fica inviável”, diz Zeca.

Além do alto custo de produção, a dificuldade em negociar o grão é um dos motivos dos agricultores desistirem do trigo. “Hoje quando você planta é um preço, quando você vai vender é outro, então a dificuldade nossa de comercialização não é fácil”, completa o agricultor.

No Rio Grande do Sul, a área plantada também diminuiu. Em todo o estado, apenas 10% das lavouras foram plantadas e a previsão é de queda na área ocupada pelo trigo. No ano passado, foram plantados 882 mil hectares e nesse ano a estimativa é que não passe de 766 mil hectares. A menor área dos últimos dez anos.

O clima é o principal aliado dos produtores rurais, mas também pode ser o pior dos vilões. Nos dois últimos anos foi ele o responsável pelas perdas nas lavouras de trigo do Rio Grande do Sul. Nesta safra, o fenômeno La Niña dá esperança aos agricultores por anunciar um inverno mais seco. Mesmo assim, muitos estão optando por atrasar o plantio, devido às previsões de geada em setembro, período em que o trigo está na fase reprodutiva.

O agricultor Maurício de Bortoli perdeu 40% da safra do ano passado. Agora, reduziu em 20% a área cultivada em Cruz Alta. Os 1,5 mil hectares já começaram a ser semeados, mas ele não apostou só no trigo: “A gente está plantando a cultura da cevada e aveia branca, todas com objetivo de produção de sementes para atender mercado específico, que é o mercado cervejeiro”.

Já o agricultor Evandro Pedrotti manteve a mesma área do ano passado: 100 hectares. A expectativa do agricultor é que com uma oferta menor os preços subam: “Dá uma esperança porque muitos produtores na nossa região optaram pela planta de aveia e diminuiu muito a quantidade de trigo. Então, a nossa esperança é que o preço reaja”.

Paraná e Rio Grande do Sul produziram no ano passado 88% do trigo do país.

Fonte: G1 Globo Rural