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06/10
A vida que acontece através das doações de sangue

A vida que acontece através das doações de sangue

Eis que depois de 20 anos a história se entrelaça e nunca fez tanto sentido poder ajudar sem saber quem irá se beneficiar. João Batista Garaffa é doador de sangue desde o ano de 2000, como voluntário, e a partir de 2013, vem até o Serviço de Hemoterapia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, junto com os seus colegas da Cotrisoja de Tapera, empresa em que trabalha e que também é Parceira Amiga da Hemoterapia. Ao longo dos anos, João fez inúmeras doações, porém, jamais imaginou que quem se beneficiaria com a sua doação seria sua própria filha.

Camille Willens Garaffa nasceu no dia 12 de maio de 2020, prematura de 27 semanas e quatro dias, com 600 gramas, necessitando de cuidados intensivos. Camille ficou 113 dias internadas na CTI Neonatal e está há mais de 30 dias na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal do HSVP, ao longo desse período precisou de transfusões e dos diferentes componentes que se incluem no sangue, principalmente hemácias.

A Coordenadora Técnica da CTI Neonatal do HSVP, Dra. Jaqueline Cabeda, explica que nenhuma UTI Neonatal funciona sem hemoderivados, pois, os prematuros são uma população de risco que necessita de hemoderivados, no decorrer das internações, uma vez ou outra, precisam receber sangue. “Por exemplo, um prematuro extremo que nasce com 500g, na primeira semana, eles são muito instáveis e acabamos fazendo muita coleta em função dos exames necessários, e 2 ml para esse bebê é um monte, por isso, eles precisam receber hemoderivados”, esclarece.

Jaqueline ressalta que há muitos fatores que fazem com que os bebês de uma CTI Neonatal precisem receber os hemoderivados. “Uma UTI Neonatal tem pacientes prematuros muito extremos, de muito risco, com muito tempo de permanência. Um bebê de 24 semanas, na primeira semana é preciso pedir exame todo dia”, pontua. Para a médica, também é preciso pensar neles, pois são uma população que também necessita de doadores.

João e sua esposa, Viviane Willens, não imaginavam que crianças recém-nascidas também precisassem de doação de sangue, já que é comum relacionar a doação com procedimentos oncológicos, cirúrgicos, transfusões, transplantes e intervenções de complexidade como nos casos de acidentes. Conforme Jaqueline, “as indicações mais frequentes para transfusão de sangue são por causas como anemia, infecção, coletas frequentes de sangue, hemorragias, entre outras”, explica.

Para João, que atualmente é doador na modalidade de doação automatizada de plaquetas, as doações sempre foram com o intuito de ajudar, já que muitas pessoas necessitam diariamente deste produto que não pode ser fabricado, e depende de um gesto de solidariedade. “Não tinha ideia que a doação de sangue é fundamental para o funcionamento de uma CTI Neonatal. Presenciando esse fato, logo me prontifiquei a doar e nunca imaginei que estaria contribuindo com a saúde da minha filha e as demais crianças da CTI Neonatal, que também dependem diariamente da necessidade de doação de sangue para manter sempre viva a esperança dessas crianças”, relata.

Quando pensamos em ajudar o próximo através da doação de sangue nem sempre dimensionamos a grandiosidade desse ato de solidariedade, em que diversas pessoas, de diferentes faixas etárias, podem se beneficiar. João está vivenciando a intensidade de ajudar a sua própria filha, ele pode ver suas expressões, acompanhar o seu crescimento, sentir o seu calor e todo o amor em um toque, em um olhar. Como também seus colegas da Cotrisoja, que através de João, podem assistir as alegrias da vida acontecendo. Esse é um convite para você: Doe sangue! Faça o bem sem olhar a quem.

Foto: Camille está há mais de 140 dias internada e já necessitou de hemoderivados inúmeras vezes (Foto e texto: Assessoria de Imprensa HSVP/ Scheila Zang )